9 de julho de 2018

LX2018 - Resumo semanal 2/16

Mais uma segunda feira e mais um resumo semanal.
A segunda semana de preparação, correu mais ou menos como estava planeado, havendo apenas uma alteração quarta feira, que substituí o descanso por fortalecimento muscular (também importante como complemento à corrida) e domingo em que fiz um treino mais curto do que o previsto, mas perfeitamente justificado devido a um casamento que tive no sábado e às 4h que dormi. Senti-me sempre bem nesse treino, mas achei que não deveria estar a forçar tanto o corpo, após um dia cansativo e com poucas horas de sono.
Nos treinos apenas de "rolar" não há muito a contar. Apenas que no sábado tive a companhia do amigo David Simão. Em relação às rampas de terça feira e às séries de sexta, posso dizer que também correram muito bem e que consegui manter um ritmo mais constante entre repetições.
   - As 4 rampas de 200m foram feitas entre os 36'' e os 37''
   - As 5 séries de 2' entre os 3'53'' e os 3'50''
   - As 5 séries de 1' entre os 3'29'' e os 3'20''
Em termos gerais o corpo reagiu sempre bem e mesmo no final da semana, não senti as pernas tão "amassadas" como a semana passada.
#otigaséforty #rumoabeirute #obgcn #matraquilhos #motins #comamigosémaisfacil #sorrisempre

2 de julho de 2018

LX2018 - Resumo semanal 1/16

Está concluída a primeira das dezasseis semanas que farão parte do meu plano de treinos para a Maratona de Lisboa 2018. Tentarei fazer aqui o resumo semanal desses treinos, para o caso de alguém ter curiosidade nisso, mas principalmente para minha memória futura.
Esta será a minha oitava maratona. Nas anteriores, baseei-me em planos de treino retirados da internet e adaptados aos meus objetivos, mas o facto de alguns treinos semanais terem de ser feitos de madrugada por questões de logística (e falta de tempo ao final do dia), o que acontecia é que alguns desses treinos não eram feitos. Ou porque custa sair da cama às 5h45, ou porque tinha dormido pouco, ou porque estava frio e a chover, ou, ou, ou.... as desculpas eram sempre muitas e o plano de 4 treinos, passava para 2 em algumas das semanas.
Desta vez resolvi fazer diferente. Fui ter com uma pessoa amiga e que percebe bastante desta coisa das corridas e disse-lhe: "Gostava de te pedir se me podias fazer o plano de treinos para a maratona de Lisboa. O objetivo será baixar as 3h40. As únicas condições que eu coloco, é que nesse plano têm estar incluídos os treinos de terça feira do Correr Lisboa no EUL (porque sou guia). Nos restantes dias da semana, só consigo de madrugada e ao fim de semana há uma maior flexibilidade de horário e disponibilidade." e disse-lhe também que "Um dos principais motivos, para te estar a pedir este favor é também o facto de ter alguém que me faça sentir a obrigação de não me baldar aos treinos, pois para além de mim próprio, estou a falhar com alguém que me está a ajudar e a perder algum do seu tempo com isso.".

Dada a explicação, vamos então ao resumo semanal.
A "ementa" começa logo com 5 dias de treino e onde se lê "Descanso" na segunda e na quarta feira, deve ler-se "Descanso ou reforço muscular" mas não coloquei por questões de espaço. Para quem, muitas vezes, fazia apenas 2 treinos por semana, assim que olhei para isto, a vontade foi de chorar (eheheh). Felizmente tenho amigos que me compreendem e perante os meus desabafos, prontamente me disseram "Finalmente, alguém que te meta a treinar como deve ser. E a explorar as tuas capacidades." o que me reconfortou bastante (ou então não). Assim que parei de soluçar, limpei as lágrimas e fui programar os treinos no relógio. Só para terem uma noção desta mudança, esta semana fiz 58,8km, mais do que em todo o mês de fevereiro (56km) e março (58km).
Tirando o treino de domingo em que pelo facto de ter companhia, foi feito a um ritmo tranquilo e sem grande preocupação de olhar para o relógio, todos os outros foram feitos conforme o planeado, conforme indicado no quadro inicial (o "certo" será aquilo que realmente fiz e o "X" o que estaria previsto fazer).

Chego assim ao final da semana, com 58,8km percorridos em 5h02. Com dores nas pernas, devido ao aumento de carga física, mas muito contente comigo próprio por aquilo que fiz. Há apenas alguns ajustes a fazer em relação ao treino de séries, para conseguir ritmos mais homogéneos nas repetições, tirando isso é continuar com a mesma confiança porque o caminho ainda é longo.

Obrigado a todos pelo vosso apoio e para os que conseguiram ler tudo isto até ao fim, obrigado também pela vossa paciência.
#otigaséforty #rumoabeirute #obgcn #matraquilhos #motins #comamigosémaisfacil #sorrisempre

20 de junho de 2018

Que comece a maratona

Diz o calendário, que na próxima segunda feira ficarão a faltar 16 semanas para a maratona de Lisboa. Essas 16 semanas são exatamente a duração do plano de treinos que irei empenhar-me por cumprir com algum rigor.
A ansiedade é grande.
Serão quase 4 meses e um longo caminho e muitos kms para percorrer, mas o mais importante é que sei que não o irei fazer sozinho, porque felizmente há malta que estará sempre lá para os fazer comigo. Muito obrigado.
Porque para mim, a maratona são também esses 4 meses, que comece então a maratona.

Tal como as missões secretas têm nomes de código, esta começou por brincadeira a ser chamada de "Beirute", por isso, esse será um dos hashtags que irei utilizar até ao dia 14 de Outubro. #rumoabeirute.
"You'll never walk alone!"

21 de maio de 2018

O Tigas é forty

Ora cá estou eu novamente.
No post anterior, para além do resumo de 2017, escrevi isto:
"Objetivos para 2018 - Um só. Baixar as 3h40 nos 42,195kms
O propósito de decidir não fazer nenhuma maratona em 2017, para além do tal cansaço, físico e mental, de passar o tempo a treinar para maratonas, prende-se também com o facto de 2018 ser o ano em que irei celebrar o meu 40º aniversário. Por se tratar de um número sempre marcante (a tão famosa entrada nos "entas"), decidi que me irei aplicar para baixar as 3h40m na maratona e assim riscar mais um dos objetivos traçados na tal lista de Abril de 2012,
Será esse o grande e único objetivo para o próximo ano.
O plano será apostar forte para o dia 14 de outubro em Lisboa. Caso não consiga tenho depois o Porto no dia 4 de Novembro.
"

Entramos em 2018 e até ao momento estão feitas 4 provas, todas elas com distâncias diferentes.
- G.P. Fim da Europa (17km) - com melhor marca pessoal nesta prova. Menos 1m22s que o tempo anterior
- Corrida do SL Benfica (10km)
- Corrida da Liberdade (11km)
- Corrida 1º de Maio (15km) - Recorde pessoal dos 15km, com menos 1m48s que o tempo anterior e finalmente sub1h10
 NOTA: Todas as provas feitas estão registadas AQUI

Entretanto chegou o dia 19 de maio. Dia do 40º aniversário. E ao abrir o email deparo-me com esta imagem.
A primeira reação foi de grande surpresa, pois não sabia quem eram os autores desse presente. Só depois descobri que foi um grupo de amigos que também corre. Não sei se "amigos" é o termo mais correto, para definirmos alguém que sabe que vamos passar 4 meses de treino, muitos kms, sofrimento, menos horas de sono, menos tempo para convívios e vida social e mais um monte de coisas, e além disso ainda ter no final, de correr durante quase 4h.
Brincadeira à parte. Esta malta é mesmo minha amiga e sei que irão acompanhar-me a percorrer todo este caminho até ao dia 14 de outubro. Estes e mais uns quantos. Estão lá sempre e eu também tento estar para eles.
Já tinha decidido que não me iria inscrever na maratona de Lisboa. Estou inscrito na do Porto (novembro) e em Sevilha (fevereiro). E Lisboa normalmente tenho sempre conseguido arranjar dorsal. Iria treinar à mesma e se conseguisse dorsal, tudo bem, senão prolongava o plano de treinos e ficava já para o Porto.
Agora essa dúvida já não existe. Lisboa é mesmo uma realidade e com a responsabilidade acrescida de não dececionar toda esta malta que acredita em mim. Como sempre, tentarei dar o meu melhor e eles também sabem disso.
O objetivo também está definido e será baixar das 3h40 (meninas não quero mais conversa acerca disto).
Agora resta-me começar a treinar e fica prometido que venho aqui dar notícias com maior regularidade.
Muito obrigado pela surpresa Susana, Luísa, Maria João, Rita, Cristina e Paulo. Vocês fazem parte do lote das coisas boas que a corrida me trouxe, meus AMIGOS.
#gostomuitodevocês #comamigosémaisfácil #os40doTigas #rumoalx2018

28 de dezembro de 2017

Resumo de 2017 e objetivos para 2018

Mais de 3 anos após o último post, resolvi voltar a escrever.
Não vou fazer uma retrospetiva do que aconteceu neste período porque não vale a pena. Apenas dizer que entretanto se passaram 45 provas, entre elas 5 maratonas (uma deles onde bati o meu recorde pessoal que está em 3h40m54s a 30 de maio de 2015 em Estocolmo), 10 meias maratonas e o resto provas de 15 e 10km.
Após 3 anos consecutivos quase só a treinar para maratonas, decidi que 2017 seria o ano em que não faria nenhuma, nem seguiria nenhum plano de treinos. Uma espécie de ano sabático em que só treinava quando me apetecesse e sem o mínimo de pressão.
Participei em 11 provas de estrada:
  • 3 Meias maratonas - Cascais (fevereiro), Lisboa (março) e Descobrimentos (dezembro)
  • 1 de 17km - G. P. Fim da Europa
  • 2 de 15km - Corrida dos Sinos e 1º de Maio
  • 5 de 10km - SL Benfica, Tejo, Montepio, D. Dinis e GP Natal
Curiosamente e sem treino específico, acabei por bater este ano os meus recordes pessoais:
Por tudo isso, 2017 foi um excelente ano em termos de resultados. Dos vários recordes obtidos destaco o sub-1h40m na meia maratona porque era um dos grandes objetivos que tracei em 2012 quando comecei a correr e a escrever este blog  (ver aqui).

Ao longo destes 5 anos a corrida tem-me trazido bons amigos e com eles partilhamos muitos momentos e aventuras. Sinto um orgulho enorme quando os vejo triunfar, mas também quero lá estar para os abraçar quando as coisas correm menos bem, porque sei o quanto se esforçam e dedicam para melhorar constantemente. À parte dos feitos pessoais, este ano, estive em três provas apenas com a missão de acompanhar 3 desses amigos, na tentativa de os ajudar a alcançar os seus objetivos.

A primeira foi em setembro, na Corrida do Tejo em que a Luísinha queria fazer menos de 47 minutos nos 10km. Infelizmente as alergias e consequentemente as dificuldades em respirar corretamente, fizeram com que não fosse possível e cortámos a meta em 48m01s. A garra e as capacidades desta miúda são enormes e rapidamente "se vingou" deste resultado menos bom e passado um mês fez logo 45m46s no Corrida do Montepio.



A segunda foi em setembro, na Maratona de Lisboa. O Adelino queria baixar das 4 horas e eu disponibilizei-me para o acompanhar desde o km12 até à meta (cerca de 30km). Infelizmente também não foi possível devido às fortes cãibras nas pernas que o atormentaram desde o km34 até perto do final, terminando a prova com 4h13m55s. Acompanhei-o em alguns treinos longos na sua preparação para esta prova e sabia que ele estava muito bem física e mentalmente, mas como já disse várias vezes, para que uma maratona corra bem, para além do treino, temos de ter a sorte que no dia tudo seja perfeito, porque as probabilidades de algo correr mal e deitar tudo a perder, são grandes. Este amigo é forte e persistente e por isso 2018 será o ano em que irá alcançar grandes marcas nos desafios a que se irá propor.



A terceira foi no início de dezembro, no G.P. de Natal. A Susana disse-me que gostava de fazer sub52, depois de em outubro ter tido o seu melhor tempo aos 10km na Corrida do Montepio com 53m30m (seria uma melhoria de mais de 1m30s em mês e meio). Acompanhei a sua preparação e acreditei sempre que seria capaz (Foco e Determinação, são dois apelidos desta miúda). Talvez até mais do que ela, estava ansioso porque as duas provas anteriores em que me tinha proposto ajudar um amigo, as coisas não tinham corrido como desejado. Ainda para mais, a Susana fez a loucura de me dizer que tinha total confiança em mim e que ao longo de toda a prova não iria olhar para o relógio, facto que ainda me deixou mais nervoso, com o peso da responsabilidade. Felizmente ela fez uma corrida exemplar e não só baixou dos 52 minutos como se aproximou muito dos sub50 (será sem dúvida em 2018) e cortou a meta com 50m25s.

Os resultados das três situações foram diferentes, mas em todas elas no final, depois do abraço, ouvi um "Obrigado" e isso vale mais que qualquer medalha ou diploma. Assim como eu o faço, quando são estes e outros Amigos a puxar por mim e a dizer que acreditam.
Obrigado a todos os meus Amigos que a corrida me trouxe. Gosto muito de vocês.
A todos um excelente 2018 cheio de saúde e sucessos pessoais e desportivos para vocês e respetivas famílias.


Objetivos para 2018 - Um só. Baixar as 3h40 nos 42,195kms

O propósito de decidir não fazer nenhuma maratona em 2017, para além do tal cansaço, físico e mental, de passar o tempo a treinar para maratonas, prende-se também com o facto de 2018 ser o ano em que irei celebrar o meu 40º aniversário. Por se tratar de um número sempre marcante (a tão famosa entrada nos "entas"), decidi que me irei aplicar para baixar as 3h40m na maratona e assim riscar mais um dos objetivos traçados na tal lista de Abril de 2012,
Será esse o grande e único objetivo para o próximo ano.
O plano será apostar forte para o dia 14 de outubro em Lisboa. Caso não consiga tenho depois o Porto no dia 4 de Novembro.


Até breve e divirtam-se. Principalmente, divirtam-se a correr.
#sejamfelizes #sorrirsempre

5 de novembro de 2014

Fui muito feliz no Porto.

Este post vai ser longo e vai ficar muito por dizer. Se não conseguir transmitir isso pelas palavras, quero que saibam que estou de coração cheio. Muito cheio.
Vou falar primeiro da prova (tentar resumir) e depois de tudo o que envolveu esta maratona.

A CORRIDA
XI Maratona do Porto - 02 Novembro de 2014 entre as 6h15 e as 13h306h15 - Com cerca de 4h e tal de sono, toca o despertador. Tinha o equipamento todo preparado de véspera, por isso, foi só tomar banho e vestir. 
6h45 - Desci para o pequeno almoço, onde já estava o David Simão, o Xico e a Inês. Entretanto apareceu a Rutília (minha esposa, para quem não sabe) com o casal Claro (Sandra e Bruno) e o casal Cardoso (Brigitte e Pedro). Uns com mais sono que outros, uns mais faladores que outros, mas todos bem dispostos. Comi 2 croissants com nutella, um donuts, 3 copos de sumos tropical e como não havia bananas, tomei uma carteirinha de magnésio.
7h30 - Entrámos no autocarro que nos iria levar do hotel até à partida. Ao entrarmos ficámos anestesiados com o cheiro a bálsamo que vários atletas tinham colocado. O cheiro a mentol desentupiu as narinas e acordou quem ainda estivesse sonolento. eheheh
8h - Já estávamos junto ao Palácio de Cristal e começavam a agrupar-se os muitos Vicentes que iam fazer a maratona e a Family Race e deu também para cumprimentar vários amigos das corridas, como a malta dos 4 ao km (João, Isa e Vítor), o pessoal do Correr Viseu e mais uns quantos.
8h30 - Foto de grupo dos Vicentes, último xixi, beijinho de boa sorte da esposa, votos de uma excelente corrida para o pessoal da Family Race e fui com os companheiros de maratona para o bloco de partida. Minuto antes da partida, abraço aos Vicentes maratonistas, que excepto o David Simão, iriam para tempos diferentes do meu.
A foto de grupo às 8h30 (faltam alguns que se atrasaram)
9h - É dado o tiro pela "grande" Aurora Cunha e exactamente 2 minutos depois, passamos o pórtico da partida. Algum alguma confusão inicial e arrancamos num ritmo calmo. Fizemos o km1 a 5m32 e este foi o terceiro km mais lento de toda a minha prova. Entramos depois na Av. da Boavista e encontramos o João Veiga que ia tentar as 3h45, mas disse que iria connosco alguns kms porque estávamos com um bom ritmo. No final da Av. da Boavista viramos à direita em direção a Matosinhos e começamos a cruzar-nos com os primeiros atletas (não gostava muito de provas de ir e vir, mas agora como já conheço muitos malucos das corridas, o tentar encontrar o pessoal conhecido é uma forma de me abstrair da distância e parece que a prova passa mais depressa). Vamos trocando incentivos e cumprimentos e regressamos à rotunda da Praça Gonçalves Zarco com 14km. O pessoal da Family Race segue dali para a meta e nós seguimos em frente. Nesta altura dizemos ao João para não se prender connosco porque o ritmo estava um pouco forte e era cedo para arriscar e passamos à meia maratona com o tempo de 1h54m26s (média de 5:25m/km).
Um pouco mais à frente temos uma descida íngreme para a zona da Ribeira e avisto duas camisolas do Correr Lisboa. Mais ao perto vejo que era o casal amigo Liliana e ZéTó, que resolveram fazer uma surpresa e apareceram no Porto sem dizer nada a ninguém.
Misto de surpresa e alegria (também conhecido por "cara de parvo") por ver a Liliana e o ZéTó
 Depois de passarmos a zona da Ribeira, vamos a entrar na Ponte Luís I e digo ao David "Agora é só ir ali à Afurada e voltar e quando chegarmos aqui a maratona está feita".
No regresso aquele local correspondia ao km 32,5. Ficava só a faltar uma São Silvestre (nas corridas vou dividindo a distância mentalmente. Aos 21,1km penso que já só falta uma meia maratona, aos 27km falta a Corrida das Fogueiras, aos 32km uma São Silvestre e aos 36km falta apenas o meu treino à porta de casa, de 6km que já repeti dezenas de vezes).

Quando entrámos em Gaia apanhámos muito empedrado e noto uma quebra no David. Passo 1 ou 2 metros para a frente dele para ver se reage, mas ele diz-me que a descida para a Ribeira tinha deixado mazelas. Nesta fase cruzamo-nos novamente com o pessoal mais rápido e noto que os Vicentes vão muito bem. Aqui tive também o privilégio de me cruzar e cumprimentar (finalmente) o grande Carlos Cardoso, que ia rapidíssimo.
No km 24 e 25 o David continua a não conseguir manter o ritmo que levava-mos e insiste para que eu siga. Pergunto-lhe se fica bem e ele assegura-me que sim.
A partir daqui e até ao final fiz a prova sozinho, mas sempre muito forte mentalmente e fisicamente. Fazendo esses 16kms finais em 1h23m, o que dá uma média de 5:11m/km.
Ao km 32,5 nova passagem pela ponte Luís I e antes de entrar no túnel está novamente a Liliana e o ZéTó e recebo mais uma injecção de ânimo.

No final do túnel alcanço o José Veiga que sentiu uma dor no joelho e prudentemente resolveu abrandar (fazendo mesmo assim um excelente tempo final e com direito a recorde pessoal e tudo) e logo a seguir está o Ildebrando quase no meio da estrada para também me dar um valente "empurrão".
Faltavam 10kms. Nos meus pensamentos, faltava apenas uma São Silvestre e lembrei-me de todas as palavras que o Ildebrando me disse no dia 5 de Outubro, quando ia-mos a descer a Rua da Prata e faltavam os "mesmos" 10kms para cortar a meta. "A tua prova está feita. Agora é só manter e desfrutares ao máximo esta experiência. Vais ver pessoal a tombar, seja com cãibras ou a vomitar. Não olhes. Mantém-te focado, porque estás fortíssimo", e assim fiz.
Logo de seguida passei o Paulo Louro e pouco depois o Carlos Moreira, ambos com problemas físicos. Perguntei se precisavam de alguma coisa. Agradeceram mas mandaram-me seguir.
Só aos 35km começo a fazer contas ao tempo e percebo que consigo baixar as 3h50m35s que tinha feito em Lisboa. Mesmo com alguma quebra deveria conseguir perto das 3h48.
Entretido com estas contas, ao km36 levo um soco no estômago ao ver o Bruno em passo muito lento. Como ele ia com phones, bato-lhe no ombro e digo-lhe para vir comigo, mas ele responde que não dava. Uma das pernas tinha bloqueado e quase que se recusava a correr, mas para eu não me preocupar que iria chegar ao fim.
Retomo o meu ritmo e perto do km38 está o incansável José Saraiva, com mais palavras de alento. Pergunta-me se quero companhia ao qual agradeço mas digo-lhe que estou bem e que quem vem atrás precisa desse apoio. Uns 500m depois está a Irene (esposa do José) aos saltos e aos gritos a chamar por mim, a dar-me muita força e a dizer que já faltava mesmo muito pouco.
Km40 e olho para o relógio. Faltam 2,195km e o relógio marca 3h33m52s. Se fizesse essa distância um pouco abaixo dos 6m/km conseguia algo que nunca teria imaginado. Fazia menos de 3h45.
Km41 e está à minha espera o António Cerejo que diz que me vai acompanhar durante alguns metros. Brinco um pouco com ele porque desata a correr abaixo de 5m/km e eu digo-lhe que se me queria acompanhar teria de ir ao meu ritmo e não a sprintar por ali fora. Lembro-me novamente do Ildebrando e peço ao António se me pode segurar no boné. 600 metros para a meta o António diz-me que a Brigitte estava já ali e logo depois estaria o meu amor. Pego a bandeira do Correr Lisboa que a Brigitte tinha e logo de seguida vejo a Rutília no meio da estrada de máquina na mão. Ergo os braços, levanto a bandeira e cerro os dentes, mas já não consegui evitar e comecei "transpirar" dos olhos logo ali.
Foto tirada pela Rutília (ao fundo de casaco azul consegue ver-se a Brigitte)

Já muito perto do meu amor
Estava a 400m da meta e apareceu a Inês para também fazer alguns metros a meu lado. Começo a ver cada vez mais gente a assistir e a aplaudir incessantemente. O barulho é enorme e tenho uma sensação  indescritível. Avisto a meta e o relógio da prova marca exactamente 3:45:00. Passados 12 segundos corto a meta e sou abraçado por um atleta que não conheço mas que me agradece porque o apoio que recebi dos meus amigos nos metros finais também lhe deu muita força.
Este abraço foi o agradecimento do atleta com o dorsal 2336 a todos os Vicentes que me apoiaram
A corrida é isto. O único adversário somos nós próprios, e é a nós que queremos ganhar. Todos os outros são "loucos" saudáveis que estão ali com o mesmo objectivo que nós. Superarem-se e conhecerem-se a si mesmos.

No final, a também incansável Sandra. Que para além de muitas outras coisas é a responsável por podermos eternizar estes momentos. E que sofre e vibra por cada um de nós, como ninguém. Obrigado Miúda.
Depois foi ir levantar os prémios de finisher e voltar para a parte final da prova para apoiar os que ainda vinham aí.

A prova em números:
Os dados oficiais

O meu registo

Nota: Este foi o relato apenas da parte da corrida, mas esta maratona tem muito mais para contar. Se já tiverem cansados podem deixar esta leitura para outro dia.


O PORQUÊ DE IR FAZER A PROVA
Não me recordo ao certo quando foi a primeira vez que pensei em fazer esta maratona, mas foi no dia em que decidi que iria fazer uma. Pelos relatos lidos e em conversa com pessoal já habituado a estas andanças, todos diziam que a maratona do Porto era superior à de Lisboa, mas para mim, a estreia nesta distância teria de ser em Lisboa (na minha terra). Por isso, a participação na maratona do Porto ficou agendada para 2015.
No dia 1 de Outubro às 17:28 o David Simão envia-me a seguinte mensagem "Tenho um desafio para ti. Se te arranjar um dorsal, vais ao Porto?". Sabia que ele ia, assim como o Bruno Claro e o Heitor Cardoso. A minha resposta foi "Que se lixe. Bora lá!".
Um minuto depois comecei a pensar no que tinha acabado de fazer e disse-lhe:
Eu - Mas isso é certo ou vais ver se é possível?
David - É certo.
Eu - Chiça. Ainda estava com esperanças de que fosses pedir e já não desse. - Tarde de mais.

Depois disto fiz a maratona de Lisboa e anunciei que iria fazer a do Porto, 28 dias depois.
Tirando duas ou três pessoas ainda mais malucas que eu que o que me disseram foi "Fizeste a preparação certinha para Lisboa, por isso o treino está feito. Convém só abrandares um pouco até lá e pronto.", todos os outros alertaram-me dos perigos, ao nível físico, de fazer duas maratona em tão curto espaço de tempo. E eu próprio tinha consciência disso, porque lera vários artigos sobre o tempo de recuperação, etc. Havia três factores importantes, a meu favor para fazer esta loucura. Primeiro, apesar do desgaste a que os 42,195km obrigam, a recuperação pós-prova foi muito boa; Segundo, fiz uma prova sempre controlada e sem nunca ir "no limite"; Terceiro, ia para a maratona do Porto apenas para me divertir, isto é, sem a mínima preocupação de tempos, nem os nervosismos de estreia e por isso, se a qualquer momento sentisse que estava a abusar, encostava-me à berma e parava.
Para comprovar que a ida ao Porto foi sempre encarada como uma forma de diversão, passeio e confraternização, está o facto de na semana antes ter participado nos 20kms de Almeirim, onde bati o meu record na distância (se tivesse juízo, tinha-me poupado para a maratona) e na véspera da maratona as duas principais refeições terem sido francesinhas acompanhadas pelo principal nectar da Unicer e à tarde por um longo passeio pela cidade.
O almoço e quase 7km de passeio a pé pelo Porto.

A hidratação ao jantar, na véspera da maratona.
Se me sentisse bem fisicamente, gostava de fazer a prova sempre com o David Simão e ajudá-lo a tentar as sub-4h, por vários motivos. Fora ele o responsável pela minha ida ao Porto, por ter ido no ano anterior e as coisas não lhe terem corrido bem e porque tinha feito 4h07 em Lisboa e eu acreditar que ele é capaz de muito melhor. Pelo que já referi no relato da prova, não o acompanhei o caminho todo, mas o David terminou a prova em 4h03 e bateu (também em 28 dias) o seu recorde pessoal.


TUDO O QUE ESTEVE PARA ALÉM DA PROVA
Até meio de Outubro, as presenças confirmadas na maratona do Porto eram eu, o David, o Bruno, o Heitor, o Ildebrando e o Paulo Freitas. Entretanto a EDP, através das suas Happy Times dava a possibilidade de se ganharem dorsais para a maratona, family race e fun race. Lançámos o desafio a mais alguns Vicentes nos acompanharem num fim de semana ao Porto, em que a manhã de domingo seria para correr ou acompanhar quem corre. Como os Vicentes não conseguem dizer que não a um bom desafio e como o prazer da confraternização é do tamanho do prazer pela corrida, entre atletas e familiares eram quase 40, os que seguiram viagem no sábado em direção à Invicta.
Na feira da maratona com o "Zé Picolé"
O Carlos Sá pediu e os Vicentes pousaram com ele para a foto
Uma das 4 mesas de Vicentes no jantar de Sábado
Vicentes equipados a rigor na "Invasão à Invicta"
Sem programa definido previamente, em relação a refeições, passeios, etc. É difícil que mais de 30 pessoas, estejam todas em sintonia, mas quando se está entre amigos e pessoas que gostam realmente da companhia umas das outras tudo se torna fácil e as coisas correram lindamente. VOCÊS SÃO FANTÁSTICOS!!


Por fim os agradecimentos.
São muitos (e vou certamente esquecer-me de alguém) mas faço questão de os mencionar aqui, sem qualquer ordem.
Aos meus pais, por tudo. Rutília, por apesar de todos os teus receios, perceberes que estava bem e que ia ter juízo e pela alegria que senti ao ver-te antes da meta. Sandra e Bruno, por serem os anciãos desta nova "família" que todos ganhámos e que muito nos orgulhamos de pertencer. Sandra pela tua expressão de orgulho em veres chegar cada um dos teus meninos e meninas. Verónica, por neste momento não correres mas tens sido incansável no apoio (e ainda fizeste quase 100m connosco). Muito obrigado Rutília, Sandra, Verónica e Brigitte (agora que não corres por estares a fazer a melhor maratona da tua vida), por ser graças a vocês e às vossas reportagens fotográficas, que podemos eternizar todos os nossos feitos. Ao David Simão, por me ter lançado ente desafio e proporcionar esta experiência única que jamais esquecerei. Espero também estar desculpado, por ter falhado ao compromisso de te acompanhar de principio ao fim. Ao Caldeirinha e ao casal José e Irene pelo apoio ao longo do percurso, não fazem ideia da alegria que nos dão e do bem que fazem. ZéTó e Liliana, não voltem a fazer isso. A corrida só por si já puxa pelo coração, por isso, surpresas destas não são recomendadas pelos médicos. De qualquer forma, não tenho palavras para vos agradecer. António e Inês que após fazerem a vossa prova, vieram puxar e acompanhar todos os outros atletas. A todos os amigos, Vicentes e restantes malucos das corridas que estiveram presentes neste fim de semana e com quem troquei palavras de incentivo antes e durante a prova e também felicitações no final da mesma.
Mesmo para terminar, um agradecimento especial ao Ildebrando, por saber o quanto para ti foi difícil ir ao Porto e ainda mais difícil estares ali a apoiar quem estava a correr. És gigante, e uma grande parte do meu êxito nesta corrida, devo-o a ti. Para o ano matas o borrego, e eu quero lá estar.
A todos MUITO OBRIGADO!

Até breve e divirtam-se. Principalmente, divirtam-se a correr.

14 de outubro de 2014

"Fizeste a Maratona. E agora?"

Esta é a pergunta que alguns amigos me fazem "Fizeste a Maratona. E agora?".

Pelo que li em alguns sítios, após a conquista de um grande desafio pessoal, seja a primeira Meia Maratona, Maratona, Ultra Trail, etc. (normalmente provas longas e distâncias que até então não havíamos feito antes), passamos por um período onde se instala um certo vazio e uma grande falta de vontade em voltar a treinar.
Talvez isso se deva ao facto de aliado à prova em questão, estar também toda uma fase anterior de preparação intensa, com vista a esse grande objectivo e alcançada a meta o corpo nos diga "Ok. Já está feito. Agora preciso de descansar por uns tempos.".

O problema é que ao contrário desses casos, eu tenho alguns amigos que não gostam de ver ninguém sentado comodamente no sofá por muito tempo, e três dias antes da Maratona de Lisboa, há um (David Simão) que me uma mensagem, à qual se seguiu o seguinte diálogo:
David: Tenho um desafio par ti. Se te arranjar um dorsal com transporte vais ao porto?
Eu: Epá isso é tentador. Tu vais?
David: Sim, vou!
Eu: Que se lixe então. Bora lá. Isto da maratona está-me a fazer mal. Devo estar a ficar maluco.
David: lol. O treino está feito.
Eu: Mas isso é certo ou vais ver se consegues arranjar?
David: É certo.
Eu: Chiça. Ainda estava com esperanças de que fosses pedir e já não fosse possível.

Passados alguns segundos desta conversa é que "desci à terra" e pensei "Ainda nem fiz esta maratona. Não sei como vai correr e se me vou aguentar, e já estou a aceitar um convite para outra que é daqui a um mês? Não devo mesmo estar bom da cabeça."

Apesar do convite aceite, a confirmação só seria dada depois de terminar a maratona de Lisboa, mas bastaram 5 ou 6km, para me virar para o David e dizer-lhe "Vou ao porto!".
Independentemente do que se passasse dali para a frente, a maratona já tinha valido a pena, porque já tinha sido mordido pelo bichinho dos 42,195km, por toda a magia dos momentos antes da partida, o companheirismo, os votos de boa prova para todos, etc. E porque estava a fazer precisamente aquilo que sempre disse "Vou tentar correr uma maratona, mas acima de tudo vou-me divertir". Porque para mim a corrida tem de ser isso. Diversão.
Dorsal 2447

Não pensem com isto que encaro esta prova de forma despreocupada. Tenho exactamente os mesmos receios e respeito pela Srª. Maratona, que tinha antes de dia 5 de Outubro, porque sei que se trata de uma prova muito dura, que não há duas iguais e levo tenho sempre presente o pensamento "A Maratona é uma prova justa. Não é uma prova que dê espaço a inspirações momentâneas, ou heroísmo de recta da meta. É muito simples, se treinas corre bem, se não treinas prepara-te, a senhora não faz prisioneiros!".

 Em termos de objectivos  pessoais, são exactamente os mesmos que para a de Lisboa, ou seja, chegar ao fim bem, isto é, sem grande sofrimento e divertir-me. Aliado a isso vou ter o privilégio de conhecer melhor a cidade do Porto acompanhado de alguns amigos e a pé.

Até breve e divirtam-se. Principalmente, divirtam-se a correr.