20 de maio de 2013

De regresso.......... mas só à escrita

Pois é, querido blog, há já algum tempo que não vinha cá dar notícias. E o motivo é? Não havia notícias.
No fim de semana após a Corrida da Liberdade, ressenti-me da lesão da coxa e voltei a parar. Após nova ida ao médico fui aconselhado a "paragem de toda a atividade física e fisioterapia".
Iniciei hoje a primeira das 15 sessões de fisioterapia, para ver se recupero de vez. Por muito que me custe estar sem correr, desta vez vou fazer as coisas como deve ser e calha bem porque também não tinha nenhuma prova para esta altura. A próxima será a Corrida das Fogueiras a 29 de Junho.

Entretanto fiz anos e como tenho uns familiares e amigos fantásticos, fizeram a chamada "vaquinha" e ofereceram-me este menino que agora vos apresento, e que imediatamente batizei de Sr. Pereira ou apenas Pereira (que nisto das corridas somos todos iguais e não há cá senhores, nem doutores nem outros "ores").
O Pereira, também conhecido por Garmin 310XT
 Por brincadeira, os meus amigos, que também têm relógios com GPS, atribuem nomes ao "virtual trainer", como forma de incentivo pessoal nas provas em que estabelecemos um ritmo médio. Como tal, resolvi apelidar o meu novo parceiro de corridas de Sr. Pereira. 
O motivo da minha escolha resido no facto de ter um colega de trabalho (António Pereira), que conta já com 59 anos de idade e que quase 40 de corridas, com excelentes resultados alcançados, principalmente na categoria de Veterano. Desde que me iniciei nas corridas, com mais alguns colegas, há pouco mais de um ano, que o Sr. Pereira tem sido uma grande fonte de inspiração para nós e um local onde vamos "beber" muitas dicas, experiência e conselhos.

Como consigo iludir alguma malta que me rodeia e pensam que sou mesmo atleta. Para além do relógio recebi ainda esta t-shirt (e ainda um vale da SportZone):


Agora resta-me esperar que estas 3 semanas de tratamento passem depressa e que tragam os resultados previstos, para que possa estrear o "Pereira" e a nova t-shirt pelas estradas e trilhos do país. :)

Beijinhos e abraços a todos e não se esqueçam de ir correndo.

28 de abril de 2013

36ª Corrida da Liberdade

Dia 25 de Abril, como habitualmente, realizou-se mais uma edição (a 36ª) da Corrida da Liberdade, que tem como percurso, o mesmo trajecto que os carros percorreram no dia da revolução em 1974, desde a Pontinha aos Restauradores.
Como morei praticamente toda a minha vida na Pontinha, desde muito novo que me habituei a assistir a esta prova, que passa mesmo à porta dos meus pais. E assim que apanhei o bichinho da corrida, esta prova passou a figurar como um dos meus grandes objetivos. O ano passado não estava cá nesta altura, mas este ano não podia falhar.
Encontrei-me com o Vitório e fomos para a Pontinha às 9:45h, onde nos encontrámos com o Pedro e o André. Entretanto chegou o Bruno mais o irmão e ficámos à conversa também com o Quintaninha.
Fomos vendo mais pessoal conhecido e fomos cumprimentar o Pedro Carvalho e os seus amigos que formam agora os Bip-Bip Runners e tirámos a foto de grupo da praxe.
Os "Correr por Nós" com os "Bip-Bip Runners"
Fizemos um ligeiro aquecimento e às 10:15h fomos para dentro do quartel para nos prepararmos para a partida.
Já dentro do quartel.
Após uma bonita largada de pombos, foi dada a partida da prova. Fui logo junto com o Vitório e devido à quantidade de participantes, o primeiro km foi feito num ritmo mais lento (5:06m).
Ao longo do trajeto até Carnide ainda me lembro de ter cumprimentado a Rute e o Vítor e mais uns quantos conhecidos.
Aqui forçámos um pouco o andamento para nos fixarmos nos 4:55m/km que era o que tínhamos definido inicialmente e devido ao calor excessivo, não valia a pena acelerar mais nem pensar em grandes tempos. O abastecimento tardava a chegar e só chegou ao km 6, já com muitos atletas quase em "desespero". Bebi um pouco de água e o resto foi para despejar pela cabeça abaixo.
Sentia-me bem, metade da prova já estava feita, estávamos no ritmo pretendido, estava novamente mais fresco (devido à água) e sabia que depois dos túneis da Av. da Républica e do Saldanha seria sempre a descer até à meta, por isso, agora era só disfrutar da corrida e manter o andamento.
Foi bastante agradável fazer a Av. da Liberdade toda à sombra e com bastante público a incentivar. Junto à meta tinha os meus pais e a minha sobrinha que tinham participado na prova dos 5km.
Terminámos com 51:33m, o que deu uma média de 4:46m/km.

24 de abril de 2013

Scalabis Night Race 2013

Sábado foi dia de ir até Santarém participar na Scalabis Night Race.
A prova era às 21h, mas como tínhamos que levantar os dorsais até às 18h, combinámos sair de Lisboa às 16h. Fomos nas calmas e chegámos a Santarém perto das 17h.

A caminho do local da prova, já com o carro estacionado.

Fomos levantar os dorsais e ficámos por ali a ver o ambiente. Entretanto juntou-se ao grupo a família Quintanilha e um pouco depois começaram as provas da pequenada (por escalões) em que a escola de atletismo do Rui Silva e a Casa do Benfica de Abrantes estavam representadas em grande número de atletas. A animação também era porreira, o tempo estava muito bom e a companhia também era do melhor.
Por volta das 20h fomos ao carro equiparmo-nos e começar a preparação para a prova. Tirámos a foto de grupo e fomos fazer um (mini) aquecimento, porque começámos a ver que o pessoal já estava a começar a alinhar-se para a partida.
O grupo completo antes da prova.
As partidas das duas provas (10km e 5km) eram separadas por 15 minutos e por isso não havia muita confusão.
Em termos de objectivos não tinha nada planeado. Tratava-se de uma prova atípica (tirando a da marginal, não é costume correr a esta hora), desconhecia por completo o trajecto e devido ao ambiente de festa em redor da prova e também à minha má condição física, seria uma prova apenas para disfrutar e pensar pouco em resultados.
Após a partida tentámos passar os atletas mais lentos e arranjar algum espaço para poder correr mais à vontade. O primeiro km era uma volta ao quarteirão e voltavamos a passar junto à partida, onde para além do pessoal que ia fazer os 5km, estava também muito público a aplaudir, o que é sempre muito agradável.
A minha passagem ao km 1, captada pela Rute Ornelas
Sabia que o primeiro km tinha sido rápido (4:34m/km) (devido ao tentar "arranjar espaço"), mas não sabia quanto tempo tínhamos feito. Geralmente quando vou com o Vitório não ligo ao que a senhora do meu telefone diz, por isso, tiro-lhe o som e guio-me apenas pelo garmin dele. Ao km 2, apanhamos uma descida e o ritmo mantêve-se (4:26m/km), mas sabiamos que aquela parte seria de ida e como tal, daqui a pouco íamos subir. Ao km 3 comentámos que o ritmo estava muito forte e que teríamos de abrandar mas isso não aconteceu (4:24m/km). Ia com a boca bastante seca e antes do km 4 avistamos um abastecimento....................... de vinho tinto. Não bebi, mas bochechei como fazem os escanções profissionais.
Apanhado em flagrante. :)
Um pouco mais à frente cruzámo-nos com pessoal da mini e tive a oportunidade de ultrapassar a grande campeã olímpica Rosa Mota, conseguindo apenas dizer-lhe um "força Rosa".
Várias vezes falámos que o andamento continuava muito forte e pensava para mim que em breve iria dar o estoiro. Perguntava ao Vitório qual o ritmo que íamos e ele (sacana) dizia-me que estavamos entre os 4:45 e os 4:55m/km.
A prova tinha alguns pontos em que invertiamos o sentido e aí conseguimos sempre ver que o André vinha a fazer também uma excelente prova.
Na segunda metade da prova notei que vinhamos a ultrapassar muita gente e poucos eram os que nos passavam. Não por estarmos mais rápidos (o andamento era o mesmo), mas talvez por alguma quebra nos outros atlestas. Continuava a perguntar ao Vitório qual o nosso ritmo e a resposta era a mesma, "está bom assim, vamos +/- a 4:50m/km".

Ao chegar ao km 9 ele diz-me "vamos agora dar tudo, porque hoje vais bater o record dos 10km". Disse-lhe que não era possível porque se tínhamos andado sempre perto dos 4:45, daria +/- 47m30s e o meu record dos 10km era de 46m49s. Mesmo assim dei o máximo e tentei sempre acompanhá-lo. Na recta final ele "picou-se" com outro atleta e pura e simplesmente sprintou (não sei onde foi buscar tanta força no final). Avistei o relógio da meta e marcava 45m56s, o que foi para mim uma enorme surpresa e alegria. Nesta zona estava muito público a assistir e a incentivar o pessoal, assim como o "speaker" da prova. Dei ainda uns "5" a duas crianças que diziam "quem não dá aqui 5, não tem sentido de humor".  :)

Cortei a meta a lá estava o "sacaninha" Vitório a rir-se e a dizer "Parabéns. Como vês bateste o teu recorde!" e mostrou-me o relógio que registava 10km e 45m21s. Como pelo tempo de prova ele fez menos 6 segundos que eu, o meu tempo oficial foi de 45m27s o que faz com que tenha tirado mais de 1 minuto ao anterior record.


Em jeito de resumo, foi um sábado magnífico.
- Companhia excelente sempre em grande brincadeira e animação e todos estiveram muito bem na prova (o pessoal dos 10km bateram todos os anteriores recordes pessoais) e os dos 5km também andaram num bom ritmo.
- Organização excelente - Bom percurso. Muitos colaboradores na zona da partida/meta e em muitos pontos do percurso, incentivando também os atletas e sempre com um sorriso na cara. Muita animação (campinos, folcrore, tuna académica, etc.). Em vez da medalha, tivemos no final como prémio duas bifanas, uma bebida e um pampilho (tudo delicioso).
Prova sem dúvida para repetir.







16 de abril de 2013

Trail de Sesimbra - A estreia nos trilhos

Este domingo fiz a minha estreia numa prova de trail. Já tinha ido treinar uma vez pelos trilhos de Monsanto e tinha gostado, mas ainda não tinha feito nenhuma prova. Tendo amigos atletas em Sesimbra, assim que souberam da existência desta prova, disseram-nos logo que tínhamos que lá ir. Inscrevi-me com o André para os 20km (Trail) e o Vitório nos 50km (Ultra-trail). Ficou logo combinado que as esposas iam lá ter mais tarde e que almoçávamos por lá depois do Vitório chegar.

Muitos dos acontecimentos vou explicá-los apenas por fotos para terem uma melhor noção da beleza desta prova.

Chegámos a Sesimbra por volta das 6:40h, fomos levantar os dorsais e assistimos à partida do pessoal do ultra, desejando ao Vitório uma boa prova e que não se atrasa-se por causa do almoço. :)
Fomos até ao carro preparar as coisas e às 8h voltámos para o local da partida onde já estava a Inês e começavam a chegar os restantes participantes.
Entretanto encontrámos a Rute e o João, que viriam a fazer comigo e com o André a segunda metade da prova.
André, eu, Inês, Rute e João
Às 9 horas foi dada a partida e percorremos toda a marginal até entrar numa estrada de terra batida e enfrentar a 1ª subida.

Vista de meio para cima

Vista de meio para baixo


Aos 3,8km estava o primeiro abastecimento, apenas de água e não fazia sentido haver mais do que isso, porque ainda estávamos no início da prova. Saímos do estradão de terra batida e entrámos para um trilho que nos levaria até junto da praia.
A descida até à praia
O olhar para o outro lado do monte e ver que tínhamos de "trepar" aquilo tudo
A vista da praia
O início da subida

Depois disto seguiu-se uma zona de altos e baixos mas de pouca inclinação onde deu para correr um pouco mais. A Inês estava cheia de vontade de acelerar e eu acompanhei-a, sem nunca perdermos o André de vista. Aos 9,8km tínhamos novo abastecimento e aí esperaria por ele num verdadeiro banquete (água, água com magnésio, bebida isotónica, coca-cola, frutos secos, marmelada, bananas e laranjas).
Ao chegar ao banquete dos 9,8km
Aqui a Inês perguntou-me se ia esperar pelo André e disse-lhe que sim, que iria acompanhá-lo até à meta e para ela seguir porque estava cheia de força e vontade de acelerar e assim fez (estava tão bem que terminou a prova 25 minutos antes de nós). Nesta altura chegou também ao abastecimento o primeiro atleta do ultra-trail, só que para ele (apesar de ter começado 2h antes de nós) já era o km 39 (daqui até à meta, as duas provas partilhavam o percurso).
No abastecimento estava também a Rute e o João e foi desde aqui que seguimos praticamente juntos os 4 até ao fim.
O André, a Rute e o João
Depois de algum tempo a correr por campos verdejantes, passámos um arame farpado e entrámos em Marte. Se calhar em vez de Marte é uma pedreira, mas o aspecto não deve ser muito diferente. Foi uma parte complicada da prova, com o piso muito seco e rijo e o ar bastante abafado devido ao calor. Felizmente ao sairmos de Marte, houve logo um abastecimento semelhante ao anterior (km 13).
Foto do solo de Marte
Depois seguiram-se mais uns kms por entre a vegetação e com paisagens magníficas.
Outros atletas
Vista sobre Sesimbra
O castelo ao fundo (mal sabíamos que passado uns kms estávamos a subir na sua direção)
Depois disto tivemos uma descida vertiginosa, daquelas mesmo boas para os joelhos, e ao fazer-mos uma curva avistámos a subida para o castelo.
No centro da foto dá para ver a descida "quebra joelhos"
A entrada no castelo
Entrámos no castelo a andar e fomos logo "advertidos" por um membro da organização que empunhava uma máquina fotográfica e que ordenou "Toca a correr, para ficarem bem na foto. E só podem parar no abastecimento que está já aí à frente". E como obedientes que somos, lá fomos nós em passo de corrida na direção de mais um (e último) abastecimento, que para além das iguarias dos abastecimentos anteriores, tinha ainda tostas com doce de abóbora, bolachas caseiras e batatas fritas (de pacote). Aí disseram-nos que daí até à meta era sempre a descer e por um trilho muito bonito, e foi mesmo. Para mim foi das partes mais bonitas da prova em que viemos sempre a "grande" velocidade por trilhos rodeados de arvoredo, até virmos dar novamente à marginal e fazer o paredão até à meta.
A meio do paredão recebo o melhor troféu do mundo (como diz o Pedro Carvalho), a minha medalha de ouro olímpica.
A minha filhota
Depois acelerei um pouco até à meta para poder registar em foto a chegada do André, que foi um campeão em resistência e bravura, mesmo passando um bocado mal já perto do final, devido ao calor e à tensão arterial que estava um pouco alta (mas foi depois aos bombeiros e estava tudo ok).
A minha chegada
Inês, André e eu, no final da prova.
Notas finais:
  • Parabéns à organização do Ultra-trail de Sesimbra (Associação o Mundo da Corrida).
  • Grande simpatia por parte de todos os membros da organização e colaboradores.
  • Excelente sinalização do percurso (era impossível haver enganos)
  • Abastecimentos muito variados e em grande quantidade
  • Salutar também o bom ambiente entre todos os participantes e espírito de entreajuda.
  • Uma palavra para o Vitório que fez uma prova magnífica no seu primeiro ultra-trail oficial e que aguardo o seu testemunho da prova.
  • Agradecimento e os parabéns, também aos meus companheiros de prova, Inês, André, Rute e João.
O trail ganhou mais um fã e participante.




7 de abril de 2013

Treino para levantar a moral

Desde a 1/2 maratona de Lisboa que não voltei a correr.
Primeiro devido às dores que voltei a sentir na coxa e mesmo quando já não doía, a motivação não era grande e todas as desculpas eram boas para não correr.

Entretanto algum do pessoal amigo, das Colinas Bike Tour, com quem em tempos dei uns passeios de bicicleta ao domingo, disse-me que começaram a correr em Odivelas às quartas e sextas ao final da tarde. Como andava sem vontade para me levantar de madrugada, achei que era uma boa oportunidade para voltar a correr, porque assim tinha companhia.
Eles costumam fazer cerca de 10km, e eu como ia da Pontinha para lá, dava um total de +/- 15km. 

Porreiro, desafio aceite e lá fui eu.
Tal como planeado, fiz os meus 5kms num ritmo calmo e há hora marcada apareceram mais 3 companheiros de corrida. Aí parei o gps e aproveitei a hora seguinte apenas para correr e conversar, quer dizer, conversar enquanto corria. Sem me importar com ritmos ou distâncias.

Depois de tanto tempo parado, sei que não devia ter feito logo 15kms, mas souberam-me mesmo bem e para quem não corre pode parecer (muito) estranho, mas gostei bastante do cansaço muscular que senti durante o dia de sábado.

Acho que o gosto pela corrida que tinha ido com a (sofrível) meia maratona, voltou. Agora vem já aí domingo os 20kms de Sesimbra para fazer também devagarinho e desfrutar de tudo o que os trilhos tiverem para me oferecer.

Resumo do treino
Distância: 4,83km
Tempo: 24m23
Ritmo médio: 5:03 m/km

26 de março de 2013

Sou 1/2 maratonista

Só posso colocar este título no post, porque tenho um AMIGO chamado Vitório Damas.
Cruzei a meta 2h03m29s após o tiro de partida e agradeci-lhe do fundo do coração o facto de ser ele o responsável por ter conseguido concretizar um sonho.

Sem me alongar muito vou tentar explicar o para mim inexplicável. Para se ter uma melhor noção de como foi a minha prova, coloco já a imagem com os tempos por km.



Dos 0 aos 5km - Partimos mesmo à frente e por isso deu para colocar logo um bom ritmo, deixámo-nos embalar e depois com a descida para Alcântara chegámos ao km 5 com um ritmo médio de 4:35m/km.

Dos 5 aos 15km - Sabíamos que o ritmo inicial tinha sido forte, e não o podíamos manter, por isso, resolvemos abrandar para perto dos 5m/km e fizemos esses 10km em exatamente 50 minutos.

Dos 15 aos 20km - Pouco depois do km 15, comecei a sentir um cansaço enorme e a ver que estava a ficar 1 a 2 metros atrás do Vitório e sem forças para o acompanhar. A acompanhar o cansaço físico desmoralizei muito psicologicamente, primeiro por estar a passar junto à meta e saber que ainda teria que ir até Algés, segundo por nesse preciso momento sermos passados pelo "balão da 1h45m". O Vitório incentivou-me sempre e disse para não ligar a isso, porque o "balão da 1h45m" ia num ritmo muito elevado (talvez para 1h40m/1h42m). Disse-lhe várias vezes para ele seguir, mas respondeu-me sempre que esta era a minha prova e que iria comigo até à meta (pensei para mim que assim que ele arranca-se eu pararia imediatamente de correr e voltava logo ali para trás em direção à meta, sem ir dar a volta a Algés. Desistir era a única palavra que tinha na cabeça).
Os kms 17 e 18 foram de um sofrimento pelo qual nunca tinha passado e o corri foi praticamente por instinto. Cada passo que dava a caminho de Algés (ponto de retorno), era mais um passo que me fazia afastar da meta e que teria de percorrer no sentido inverso.
Finalmente alcançado o ponto de retorno, não aguentei e disse ao Vitório que teria mesmo que andar, mas o andar foi substituído por um cambalear, e tive que ser amparado por ele para não cair. Fomo-nos encostando à berma para não atrapalhar os outros atletas e assim que cheguei ao passeio deite-me na relva, sentindo-me bastante tonto. O Vitório levantou-me as pernas e aos poucos fui recuperando.

Quero agradecer aos muitos, conhecidos ou não, que nesse momento por mim passaram e mostraram preocupação pelo meu estado (lastimável).
Ao fim de 5 minutos deitado (pelas contas do Vitório), consegui levantar-me e sempre apoiado nele comecei a andar. Entretanto bebi água e chegámos ao abastecimento das bananas. Comi uma e aos poucos comecei a sentir-me melhor. Um pouco mais à frente comecei a andar sozinho.

Dos 20km à meta -  Ao entrar no km 20, consegui levantar os dois pés do chão (algo já parecido com correr), e daí até ao final ainda consegui aumentar um pouco o ritmo fazendo 7:34m e 6:02m nos kms 20 e 21 respetivamente. Ao fazer a curva, vi a meta mesmo ali à minha frente e senti um misto de emoções. Estava a concretizar um sonho e momentos antes tinha passado por um enorme pesadelo.

Como me disse o Pedro, "A primeira está feita e com recorde pessoal. Agora é pensar nas próximas para tentar melhorar". E essa é uma grande verdade.


O que aconteceu? - Não sei.
Distância? - Fiz vários treinos entre 15 a 20km e sempre me senti bem.
Fome? - Tomei o pequeno almoço em casa, uma barra de cereais e uma bolachas antes da prova, um gel aos 10km e outro aos 15km.
Ritmo muito forte? - Tinha feito duas semanas antes os 20km de Cascais em 1h38m.
Calor? - Foi das vezes que corri com menos roupa.
Água? - Talvez. Bebi pouca. Não consigo beber muita enquanto corro. Atrapalha-me muito a respiração.
Cabeça? - Sem dúvida. Contribuiu e muito para a quebra.










21 de março de 2013

3 dias para o concretizar de um sonho antigo

Desde os 8 anos de idade que pratico desporto regularmente. Comecei com o taekwondo e aos 9 iniciei-me no futebol, ainda conciliei algum tempo os dois desportos mas aos 12 optei apenas pelo futebol. Joguei federado até aos 19 (último ano de júnior) e nessa altura como não era nenhum Ronaldo nem Messi, optei por começar a trabalhar e tirar o curso à noite, por isso o tempo para a bola resumia-se aos jogos de futebol ao fim de semana nos campeonatos do Inatel e a umas brincadeiras de futsal com os amigos. O Inatel ainda durou 5 anos e depois disso ficou apenas o futsal entre amigos. Há 5 anos a esta parte comecei a jogar futsal, um pouco mais a sério, através do Campeonato Nacional de Futsal da Administração Tributária e faz no próximo dia 29 de Abril um ano que comecei a correr com alguma regularidade e a participar em provas, como atleta de pelotão.

Faltam 2 meses para fazer 35 anos, e como podem ver pelo parágrafo anterior, pratico desporto há quase 27 anos e apenas tenho (quase) 1 de corrida.
Então porque raio escrevo no título "3 dias para o concretizar de um sonho antigo"?
Em 1998, realizava-se a 2ª edição da Mini Maratona de Lisboa. Achei  piada à ideia de atravessar a ponte 25 de Abril a pé e resolvi inscrever-me, assim como os meus pais e irmão (os quatro numa espécie de passeio de domingo). Morando na Pontinha, só o chegar à ponte era uma "maratona". Autocarro 29 até Belém, saída junto ao Museu dos Coches, depois barco, seguido de umas camionetas que nos levavam para a zona do Cristo Rei e finalmente descer a pé até ao "garrafão". Não me recordo do tempo que fiz na estreia, mas lembro-me de na altura em que me inscrevi, havia um campo no formulário de dizia "Clube:" ao que eu orgulhosamente escrevi "Benfica" e fiquei a pensar "porque que é que eles querem saber o meu clube?". Nesse ano a meia maratona foi ganha pelo António Pinto, com 59,43m tendo sido nesse ano o melhor registo mundial.
Adorei a prova e disse logo que queria voltar no ano seguinte. Quando no terceiro ano consecutivo terminei a mini, disse para mim próprio "Para além do futebol não faço mais nenhuma preparação e consigo correr 8km. Por isso, para o ano começo a treinar um mês antes e faço a meia maratona" (podem ver o grau de conhecimento que o menino tinha sobre corrida). Mas ano após ano, na altura da inscrição, a preparação tinha sido a mesma dos anos anteriores (zero) e lá ia eu para os meus valentes 8km, e das 14 edições a que podia ter ido (1998 a 2012), devo ter falhado apenas 4.

Por tudo o que escrevi em cima (e foi muito), dá para ter uma ideia da importância que a prova de domingo tem para mim. E apesar de ter definido como objetivo, fazer os 21095 metros em menos de 1h45m, qualquer que seja o valor que o relógio mostrar quando eu estiver a chegar à Praça Império, o sentimento vai ser de vitória e de uma alegria imensa.

Ontem foi o primeiro dia para o levantamento dos dorsais e fui lá na hora de almoço com mais 3 amigos e orgulhosamente dirigi-me ao balcão da meia maratona e disse "É para levantar o dorsal 1081 de Tiago Rodrigues, se faz favor".

Hoje fiz o último treino. Podia ter-me preparado melhor? Sem dúvida que sim. Mas mal ou bem o trabalho está feito e domingo logo se vê. Uma coisa é certa, se tudo correr normalmente vou-me divertir muito e vou estar rodeado de amigos a completar a minha PRIMEIRA MEIA MARATONA.
Boa prova para todos os meus amigos e bloggers e se se cruzarem com o dorsal 1081, façam o favor de cumprimentar, que eu se tiver fôlego retribuo em palavras, senão tem de ser com um ligeiro aceno.
O equipamento está pronto. Vamos ver se as pernas estão.