Este domingo realizou-se o XXIII G.P. Fim da Europa. Prova de aproximadamente 17km, que vai do centro de Sintra e até ao ponto mais ocidental da Europa, o Cabo da Roca. Apesar de já ir na sua 23ª edição, a prova não se realizou o ano passado por falta de verbas, mas um grupo de "benfeitores" realizou à mesma um treino que teve uma enorme adesão e que serviu para mostrar à organização desta magnífica prova, que a mesma se pode fazer com menos recursos e que os atletas que lá vão, não o fazem pelos prémios mas sim pela excelência do percurso e das vistas que a mesma proporciona.
Basta uma pequena pesquisa no google sobre esta prova para lerem dezenas de relatos sobre a mesma e comprovarem que a opinião é unânime. Quem vai, só pensa em lá voltar no ano seguinte.
Falando agora da minha prestação.
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| Pedro, Bruno, André, eu, Jorge e Vitório |
O Vitório foi-me buscar e arrancámos para Sete Rios onde íamos esperar pelo Bruno que chegava de comboio às 8h. Chegámos a Sintra às 8.30h e esperámos dentro do carro, devido à forte chuva que não parava, até às 9h, quando chegou o resto do pessoal (Pedro, André e Jorge). Despachámos as mochilas com uma muda de roupa para vestir no final da prova e como não parava de chover fomos para baixo de um toldo de um café. Já que ali estávamos comemos uma queijada de Sintra. A chuva parou e fomos fazer um ligeiro aquecimento para a zona da partida. Aqui deu para encontrar vários atletas conhecidos da blogosfera (
Isa,
Pedro e
João), alguns deles ainda não os conhecia pessoalmente e foi um prazer (
Rute e
Vítor). O ambiente era muito descontraído e quase nem demos pela partida.
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Aqui dá para ter a noção da subida e
também para ver as árvores caídas. |
Os primeiros 4km são sempre a subir pelo meio de Sintra, num percurso muito bonito e onde podemos perceber a força da Natureza, pelo imenso número de árvores caídas. Esse cenário de devastação acompanhou-nos ao longo de quase todo o percurso e deu também para ver o magnífico trabalho feito pela organização da prova na limpeza das estradas para poderem garantir um elevado grau de segurança aos atletas.
Passados esses 4km, o pelotão já está mais alongado e entramos num percurso mais plano (algumas subidas e descidas mas de pouca inclinação). Pensei que a subida anterior ia fazer uma mossa maior nas pernas, mas sentia-me bastante bem e por isso tentei forçar um pouco o andamento, mas estranhei o facto do Vitório vir sempre dois ou três metros atrás de mim. Ele que serve sempre de meu rebocador (principalmente) nas subidas, não estava a conseguir acompanhar. Perguntei-lhe como estava e disse-me que não sentia cansaço, mas pura a simplesmente as pernas não queriam andar.
Sabíamos que ao km 10 iríamos ter uma subida muito complicada e que depois seria sempre a descer até à meta e até essa subida conseguimos manter um ritmo a rondar os 5:30 m/km. Por várias vezes lhe perguntei como ele estava e a resposta era sempre a mesma "
Isto hoje não dá. Parece que as pernas não querem mesmo andar. Vai tu embora, que estás bem." ao que eu respondia que após tantas provas em que fui eu a âncora dele, não o ia deixar para trás tão longe do final. Chegados à famosa subida no km 10, ele viu-se mesmo forçado a parar de correr e fizemos metade da subida num passo acelerado mas a andar.
Depois começava a descida de quase 6km que nos levaria até à meta. Tentei novamente forçar o andamento mas ele dizia-me que não dava e para me ir embora. No km 13, depois de muita insistência do Vitório para que me fosse embora, perguntei-lhe se dali para a frente ficava bem. Ele disse que sim e resolvi ir mais rápido.*
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| A passagem pela meta (foto João Lima) |
Pelas contas do meu telemóvel, cortei a meta no Cabo da Roca com 1h31m01s e com 16,40km, o que dá uma média de 5:33m/km (o tempo oficial foi de 1h32m43s para 16,945km o que dá uma média de 5:28m/km).
Depois de recolher a mala com a roupa seca que tinha levado, beber um cházinho quente e comer uma banana, esperámos pelos restantes elementos do grupo e regressámos a Sintra nos autocarros que a organização tinha para o efeito.
A prova é fantástica e ao terminarmos ficamos logo com a certeza de que para o ano queremos lá voltar.
Esta entra diretamente para o primeiro lugar do pódio na minha lista de preferências.
Dados estatísticos (Endomondo):
Distância: 16,400km
Tempo: 1h31m01s
Média: 5:33 m/km
GALERIA
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Esta situação é terrível para os dois e só o facto de termos uma boa amizade e muitos kms de corrida juntos faz com que isso se torne natural. Participamos sempre juntos nas provas, mas essa competição cada um tem consigo próprio e nunca um com o outro. O que está melhor fisicamente, sente-se mal ao deixar para trás o companheiro que vai em dificuldades e tenta incentivá-lo. Quem está pior, também se sente mal, porque sabe que está a "empatar" o outro e que se não fosse isso, o outro conseguiria um tempo bastante melhor.