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21 de maio de 2018

O Tigas é forty

Ora cá estou eu novamente.
No post anterior, para além do resumo de 2017, escrevi isto:
"Objetivos para 2018 - Um só. Baixar as 3h40 nos 42,195kms
O propósito de decidir não fazer nenhuma maratona em 2017, para além do tal cansaço, físico e mental, de passar o tempo a treinar para maratonas, prende-se também com o facto de 2018 ser o ano em que irei celebrar o meu 40º aniversário. Por se tratar de um número sempre marcante (a tão famosa entrada nos "entas"), decidi que me irei aplicar para baixar as 3h40m na maratona e assim riscar mais um dos objetivos traçados na tal lista de Abril de 2012,
Será esse o grande e único objetivo para o próximo ano.
O plano será apostar forte para o dia 14 de outubro em Lisboa. Caso não consiga tenho depois o Porto no dia 4 de Novembro.
"

Entramos em 2018 e até ao momento estão feitas 4 provas, todas elas com distâncias diferentes.
- G.P. Fim da Europa (17km) - com melhor marca pessoal nesta prova. Menos 1m22s que o tempo anterior
- Corrida do SL Benfica (10km)
- Corrida da Liberdade (11km)
- Corrida 1º de Maio (15km) - Recorde pessoal dos 15km, com menos 1m48s que o tempo anterior e finalmente sub1h10
 NOTA: Todas as provas feitas estão registadas AQUI

Entretanto chegou o dia 19 de maio. Dia do 40º aniversário. E ao abrir o email deparo-me com esta imagem.
A primeira reação foi de grande surpresa, pois não sabia quem eram os autores desse presente. Só depois descobri que foi um grupo de amigos que também corre. Não sei se "amigos" é o termo mais correto, para definirmos alguém que sabe que vamos passar 4 meses de treino, muitos kms, sofrimento, menos horas de sono, menos tempo para convívios e vida social e mais um monte de coisas, e além disso ainda ter no final, de correr durante quase 4h.
Brincadeira à parte. Esta malta é mesmo minha amiga e sei que irão acompanhar-me a percorrer todo este caminho até ao dia 14 de outubro. Estes e mais uns quantos. Estão lá sempre e eu também tento estar para eles.
Já tinha decidido que não me iria inscrever na maratona de Lisboa. Estou inscrito na do Porto (novembro) e em Sevilha (fevereiro). E Lisboa normalmente tenho sempre conseguido arranjar dorsal. Iria treinar à mesma e se conseguisse dorsal, tudo bem, senão prolongava o plano de treinos e ficava já para o Porto.
Agora essa dúvida já não existe. Lisboa é mesmo uma realidade e com a responsabilidade acrescida de não dececionar toda esta malta que acredita em mim. Como sempre, tentarei dar o meu melhor e eles também sabem disso.
O objetivo também está definido e será baixar das 3h40 (meninas não quero mais conversa acerca disto).
Agora resta-me começar a treinar e fica prometido que venho aqui dar notícias com maior regularidade.
Muito obrigado pela surpresa Susana, Luísa, Maria João, Rita, Cristina e Paulo. Vocês fazem parte do lote das coisas boas que a corrida me trouxe, meus AMIGOS.
#gostomuitodevocês #comamigosémaisfácil #os40doTigas #rumoalx2018

28 de dezembro de 2017

Resumo de 2017 e objetivos para 2018

Mais de 3 anos após o último post, resolvi voltar a escrever.
Não vou fazer uma retrospetiva do que aconteceu neste período porque não vale a pena. Apenas dizer que entretanto se passaram 45 provas, entre elas 5 maratonas (uma deles onde bati o meu recorde pessoal que está em 3h40m54s a 30 de maio de 2015 em Estocolmo), 10 meias maratonas e o resto provas de 15 e 10km.
Após 3 anos consecutivos quase só a treinar para maratonas, decidi que 2017 seria o ano em que não faria nenhuma, nem seguiria nenhum plano de treinos. Uma espécie de ano sabático em que só treinava quando me apetecesse e sem o mínimo de pressão.
Participei em 11 provas de estrada:
  • 3 Meias maratonas - Cascais (fevereiro), Lisboa (março) e Descobrimentos (dezembro)
  • 1 de 17km - G. P. Fim da Europa
  • 2 de 15km - Corrida dos Sinos e 1º de Maio
  • 5 de 10km - SL Benfica, Tejo, Montepio, D. Dinis e GP Natal
Curiosamente e sem treino específico, acabei por bater este ano os meus recordes pessoais:
Por tudo isso, 2017 foi um excelente ano em termos de resultados. Dos vários recordes obtidos destaco o sub-1h40m na meia maratona porque era um dos grandes objetivos que tracei em 2012 quando comecei a correr e a escrever este blog  (ver aqui).

Ao longo destes 5 anos a corrida tem-me trazido bons amigos e com eles partilhamos muitos momentos e aventuras. Sinto um orgulho enorme quando os vejo triunfar, mas também quero lá estar para os abraçar quando as coisas correm menos bem, porque sei o quanto se esforçam e dedicam para melhorar constantemente. À parte dos feitos pessoais, este ano, estive em três provas apenas com a missão de acompanhar 3 desses amigos, na tentativa de os ajudar a alcançar os seus objetivos.

A primeira foi em setembro, na Corrida do Tejo em que a Luísinha queria fazer menos de 47 minutos nos 10km. Infelizmente as alergias e consequentemente as dificuldades em respirar corretamente, fizeram com que não fosse possível e cortámos a meta em 48m01s. A garra e as capacidades desta miúda são enormes e rapidamente "se vingou" deste resultado menos bom e passado um mês fez logo 45m46s no Corrida do Montepio.



A segunda foi em setembro, na Maratona de Lisboa. O Adelino queria baixar das 4 horas e eu disponibilizei-me para o acompanhar desde o km12 até à meta (cerca de 30km). Infelizmente também não foi possível devido às fortes cãibras nas pernas que o atormentaram desde o km34 até perto do final, terminando a prova com 4h13m55s. Acompanhei-o em alguns treinos longos na sua preparação para esta prova e sabia que ele estava muito bem física e mentalmente, mas como já disse várias vezes, para que uma maratona corra bem, para além do treino, temos de ter a sorte que no dia tudo seja perfeito, porque as probabilidades de algo correr mal e deitar tudo a perder, são grandes. Este amigo é forte e persistente e por isso 2018 será o ano em que irá alcançar grandes marcas nos desafios a que se irá propor.



A terceira foi no início de dezembro, no G.P. de Natal. A Susana disse-me que gostava de fazer sub52, depois de em outubro ter tido o seu melhor tempo aos 10km na Corrida do Montepio com 53m30m (seria uma melhoria de mais de 1m30s em mês e meio). Acompanhei a sua preparação e acreditei sempre que seria capaz (Foco e Determinação, são dois apelidos desta miúda). Talvez até mais do que ela, estava ansioso porque as duas provas anteriores em que me tinha proposto ajudar um amigo, as coisas não tinham corrido como desejado. Ainda para mais, a Susana fez a loucura de me dizer que tinha total confiança em mim e que ao longo de toda a prova não iria olhar para o relógio, facto que ainda me deixou mais nervoso, com o peso da responsabilidade. Felizmente ela fez uma corrida exemplar e não só baixou dos 52 minutos como se aproximou muito dos sub50 (será sem dúvida em 2018) e cortou a meta com 50m25s.

Os resultados das três situações foram diferentes, mas em todas elas no final, depois do abraço, ouvi um "Obrigado" e isso vale mais que qualquer medalha ou diploma. Assim como eu o faço, quando são estes e outros Amigos a puxar por mim e a dizer que acreditam.
Obrigado a todos os meus Amigos que a corrida me trouxe. Gosto muito de vocês.
A todos um excelente 2018 cheio de saúde e sucessos pessoais e desportivos para vocês e respetivas famílias.


Objetivos para 2018 - Um só. Baixar as 3h40 nos 42,195kms

O propósito de decidir não fazer nenhuma maratona em 2017, para além do tal cansaço, físico e mental, de passar o tempo a treinar para maratonas, prende-se também com o facto de 2018 ser o ano em que irei celebrar o meu 40º aniversário. Por se tratar de um número sempre marcante (a tão famosa entrada nos "entas"), decidi que me irei aplicar para baixar as 3h40m na maratona e assim riscar mais um dos objetivos traçados na tal lista de Abril de 2012,
Será esse o grande e único objetivo para o próximo ano.
O plano será apostar forte para o dia 14 de outubro em Lisboa. Caso não consiga tenho depois o Porto no dia 4 de Novembro.


Até breve e divirtam-se. Principalmente, divirtam-se a correr.
#sejamfelizes #sorrirsempre

5 de novembro de 2014

Fui muito feliz no Porto.

Este post vai ser longo e vai ficar muito por dizer. Se não conseguir transmitir isso pelas palavras, quero que saibam que estou de coração cheio. Muito cheio.
Vou falar primeiro da prova (tentar resumir) e depois de tudo o que envolveu esta maratona.

A CORRIDA
XI Maratona do Porto - 02 Novembro de 2014 entre as 6h15 e as 13h306h15 - Com cerca de 4h e tal de sono, toca o despertador. Tinha o equipamento todo preparado de véspera, por isso, foi só tomar banho e vestir. 
6h45 - Desci para o pequeno almoço, onde já estava o David Simão, o Xico e a Inês. Entretanto apareceu a Rutília (minha esposa, para quem não sabe) com o casal Claro (Sandra e Bruno) e o casal Cardoso (Brigitte e Pedro). Uns com mais sono que outros, uns mais faladores que outros, mas todos bem dispostos. Comi 2 croissants com nutella, um donuts, 3 copos de sumos tropical e como não havia bananas, tomei uma carteirinha de magnésio.
7h30 - Entrámos no autocarro que nos iria levar do hotel até à partida. Ao entrarmos ficámos anestesiados com o cheiro a bálsamo que vários atletas tinham colocado. O cheiro a mentol desentupiu as narinas e acordou quem ainda estivesse sonolento. eheheh
8h - Já estávamos junto ao Palácio de Cristal e começavam a agrupar-se os muitos Vicentes que iam fazer a maratona e a Family Race e deu também para cumprimentar vários amigos das corridas, como a malta dos 4 ao km (João, Isa e Vítor), o pessoal do Correr Viseu e mais uns quantos.
8h30 - Foto de grupo dos Vicentes, último xixi, beijinho de boa sorte da esposa, votos de uma excelente corrida para o pessoal da Family Race e fui com os companheiros de maratona para o bloco de partida. Minuto antes da partida, abraço aos Vicentes maratonistas, que excepto o David Simão, iriam para tempos diferentes do meu.
A foto de grupo às 8h30 (faltam alguns que se atrasaram)
9h - É dado o tiro pela "grande" Aurora Cunha e exactamente 2 minutos depois, passamos o pórtico da partida. Algum alguma confusão inicial e arrancamos num ritmo calmo. Fizemos o km1 a 5m32 e este foi o terceiro km mais lento de toda a minha prova. Entramos depois na Av. da Boavista e encontramos o João Veiga que ia tentar as 3h45, mas disse que iria connosco alguns kms porque estávamos com um bom ritmo. No final da Av. da Boavista viramos à direita em direção a Matosinhos e começamos a cruzar-nos com os primeiros atletas (não gostava muito de provas de ir e vir, mas agora como já conheço muitos malucos das corridas, o tentar encontrar o pessoal conhecido é uma forma de me abstrair da distância e parece que a prova passa mais depressa). Vamos trocando incentivos e cumprimentos e regressamos à rotunda da Praça Gonçalves Zarco com 14km. O pessoal da Family Race segue dali para a meta e nós seguimos em frente. Nesta altura dizemos ao João para não se prender connosco porque o ritmo estava um pouco forte e era cedo para arriscar e passamos à meia maratona com o tempo de 1h54m26s (média de 5:25m/km).
Um pouco mais à frente temos uma descida íngreme para a zona da Ribeira e avisto duas camisolas do Correr Lisboa. Mais ao perto vejo que era o casal amigo Liliana e ZéTó, que resolveram fazer uma surpresa e apareceram no Porto sem dizer nada a ninguém.
Misto de surpresa e alegria (também conhecido por "cara de parvo") por ver a Liliana e o ZéTó
 Depois de passarmos a zona da Ribeira, vamos a entrar na Ponte Luís I e digo ao David "Agora é só ir ali à Afurada e voltar e quando chegarmos aqui a maratona está feita".
No regresso aquele local correspondia ao km 32,5. Ficava só a faltar uma São Silvestre (nas corridas vou dividindo a distância mentalmente. Aos 21,1km penso que já só falta uma meia maratona, aos 27km falta a Corrida das Fogueiras, aos 32km uma São Silvestre e aos 36km falta apenas o meu treino à porta de casa, de 6km que já repeti dezenas de vezes).

Quando entrámos em Gaia apanhámos muito empedrado e noto uma quebra no David. Passo 1 ou 2 metros para a frente dele para ver se reage, mas ele diz-me que a descida para a Ribeira tinha deixado mazelas. Nesta fase cruzamo-nos novamente com o pessoal mais rápido e noto que os Vicentes vão muito bem. Aqui tive também o privilégio de me cruzar e cumprimentar (finalmente) o grande Carlos Cardoso, que ia rapidíssimo.
No km 24 e 25 o David continua a não conseguir manter o ritmo que levava-mos e insiste para que eu siga. Pergunto-lhe se fica bem e ele assegura-me que sim.
A partir daqui e até ao final fiz a prova sozinho, mas sempre muito forte mentalmente e fisicamente. Fazendo esses 16kms finais em 1h23m, o que dá uma média de 5:11m/km.
Ao km 32,5 nova passagem pela ponte Luís I e antes de entrar no túnel está novamente a Liliana e o ZéTó e recebo mais uma injecção de ânimo.

No final do túnel alcanço o José Veiga que sentiu uma dor no joelho e prudentemente resolveu abrandar (fazendo mesmo assim um excelente tempo final e com direito a recorde pessoal e tudo) e logo a seguir está o Ildebrando quase no meio da estrada para também me dar um valente "empurrão".
Faltavam 10kms. Nos meus pensamentos, faltava apenas uma São Silvestre e lembrei-me de todas as palavras que o Ildebrando me disse no dia 5 de Outubro, quando ia-mos a descer a Rua da Prata e faltavam os "mesmos" 10kms para cortar a meta. "A tua prova está feita. Agora é só manter e desfrutares ao máximo esta experiência. Vais ver pessoal a tombar, seja com cãibras ou a vomitar. Não olhes. Mantém-te focado, porque estás fortíssimo", e assim fiz.
Logo de seguida passei o Paulo Louro e pouco depois o Carlos Moreira, ambos com problemas físicos. Perguntei se precisavam de alguma coisa. Agradeceram mas mandaram-me seguir.
Só aos 35km começo a fazer contas ao tempo e percebo que consigo baixar as 3h50m35s que tinha feito em Lisboa. Mesmo com alguma quebra deveria conseguir perto das 3h48.
Entretido com estas contas, ao km36 levo um soco no estômago ao ver o Bruno em passo muito lento. Como ele ia com phones, bato-lhe no ombro e digo-lhe para vir comigo, mas ele responde que não dava. Uma das pernas tinha bloqueado e quase que se recusava a correr, mas para eu não me preocupar que iria chegar ao fim.
Retomo o meu ritmo e perto do km38 está o incansável José Saraiva, com mais palavras de alento. Pergunta-me se quero companhia ao qual agradeço mas digo-lhe que estou bem e que quem vem atrás precisa desse apoio. Uns 500m depois está a Irene (esposa do José) aos saltos e aos gritos a chamar por mim, a dar-me muita força e a dizer que já faltava mesmo muito pouco.
Km40 e olho para o relógio. Faltam 2,195km e o relógio marca 3h33m52s. Se fizesse essa distância um pouco abaixo dos 6m/km conseguia algo que nunca teria imaginado. Fazia menos de 3h45.
Km41 e está à minha espera o António Cerejo que diz que me vai acompanhar durante alguns metros. Brinco um pouco com ele porque desata a correr abaixo de 5m/km e eu digo-lhe que se me queria acompanhar teria de ir ao meu ritmo e não a sprintar por ali fora. Lembro-me novamente do Ildebrando e peço ao António se me pode segurar no boné. 600 metros para a meta o António diz-me que a Brigitte estava já ali e logo depois estaria o meu amor. Pego a bandeira do Correr Lisboa que a Brigitte tinha e logo de seguida vejo a Rutília no meio da estrada de máquina na mão. Ergo os braços, levanto a bandeira e cerro os dentes, mas já não consegui evitar e comecei "transpirar" dos olhos logo ali.
Foto tirada pela Rutília (ao fundo de casaco azul consegue ver-se a Brigitte)

Já muito perto do meu amor
Estava a 400m da meta e apareceu a Inês para também fazer alguns metros a meu lado. Começo a ver cada vez mais gente a assistir e a aplaudir incessantemente. O barulho é enorme e tenho uma sensação  indescritível. Avisto a meta e o relógio da prova marca exactamente 3:45:00. Passados 12 segundos corto a meta e sou abraçado por um atleta que não conheço mas que me agradece porque o apoio que recebi dos meus amigos nos metros finais também lhe deu muita força.
Este abraço foi o agradecimento do atleta com o dorsal 2336 a todos os Vicentes que me apoiaram
A corrida é isto. O único adversário somos nós próprios, e é a nós que queremos ganhar. Todos os outros são "loucos" saudáveis que estão ali com o mesmo objectivo que nós. Superarem-se e conhecerem-se a si mesmos.

No final, a também incansável Sandra. Que para além de muitas outras coisas é a responsável por podermos eternizar estes momentos. E que sofre e vibra por cada um de nós, como ninguém. Obrigado Miúda.
Depois foi ir levantar os prémios de finisher e voltar para a parte final da prova para apoiar os que ainda vinham aí.

A prova em números:
Os dados oficiais

O meu registo

Nota: Este foi o relato apenas da parte da corrida, mas esta maratona tem muito mais para contar. Se já tiverem cansados podem deixar esta leitura para outro dia.


O PORQUÊ DE IR FAZER A PROVA
Não me recordo ao certo quando foi a primeira vez que pensei em fazer esta maratona, mas foi no dia em que decidi que iria fazer uma. Pelos relatos lidos e em conversa com pessoal já habituado a estas andanças, todos diziam que a maratona do Porto era superior à de Lisboa, mas para mim, a estreia nesta distância teria de ser em Lisboa (na minha terra). Por isso, a participação na maratona do Porto ficou agendada para 2015.
No dia 1 de Outubro às 17:28 o David Simão envia-me a seguinte mensagem "Tenho um desafio para ti. Se te arranjar um dorsal, vais ao Porto?". Sabia que ele ia, assim como o Bruno Claro e o Heitor Cardoso. A minha resposta foi "Que se lixe. Bora lá!".
Um minuto depois comecei a pensar no que tinha acabado de fazer e disse-lhe:
Eu - Mas isso é certo ou vais ver se é possível?
David - É certo.
Eu - Chiça. Ainda estava com esperanças de que fosses pedir e já não desse. - Tarde de mais.

Depois disto fiz a maratona de Lisboa e anunciei que iria fazer a do Porto, 28 dias depois.
Tirando duas ou três pessoas ainda mais malucas que eu que o que me disseram foi "Fizeste a preparação certinha para Lisboa, por isso o treino está feito. Convém só abrandares um pouco até lá e pronto.", todos os outros alertaram-me dos perigos, ao nível físico, de fazer duas maratona em tão curto espaço de tempo. E eu próprio tinha consciência disso, porque lera vários artigos sobre o tempo de recuperação, etc. Havia três factores importantes, a meu favor para fazer esta loucura. Primeiro, apesar do desgaste a que os 42,195km obrigam, a recuperação pós-prova foi muito boa; Segundo, fiz uma prova sempre controlada e sem nunca ir "no limite"; Terceiro, ia para a maratona do Porto apenas para me divertir, isto é, sem a mínima preocupação de tempos, nem os nervosismos de estreia e por isso, se a qualquer momento sentisse que estava a abusar, encostava-me à berma e parava.
Para comprovar que a ida ao Porto foi sempre encarada como uma forma de diversão, passeio e confraternização, está o facto de na semana antes ter participado nos 20kms de Almeirim, onde bati o meu record na distância (se tivesse juízo, tinha-me poupado para a maratona) e na véspera da maratona as duas principais refeições terem sido francesinhas acompanhadas pelo principal nectar da Unicer e à tarde por um longo passeio pela cidade.
O almoço e quase 7km de passeio a pé pelo Porto.

A hidratação ao jantar, na véspera da maratona.
Se me sentisse bem fisicamente, gostava de fazer a prova sempre com o David Simão e ajudá-lo a tentar as sub-4h, por vários motivos. Fora ele o responsável pela minha ida ao Porto, por ter ido no ano anterior e as coisas não lhe terem corrido bem e porque tinha feito 4h07 em Lisboa e eu acreditar que ele é capaz de muito melhor. Pelo que já referi no relato da prova, não o acompanhei o caminho todo, mas o David terminou a prova em 4h03 e bateu (também em 28 dias) o seu recorde pessoal.


TUDO O QUE ESTEVE PARA ALÉM DA PROVA
Até meio de Outubro, as presenças confirmadas na maratona do Porto eram eu, o David, o Bruno, o Heitor, o Ildebrando e o Paulo Freitas. Entretanto a EDP, através das suas Happy Times dava a possibilidade de se ganharem dorsais para a maratona, family race e fun race. Lançámos o desafio a mais alguns Vicentes nos acompanharem num fim de semana ao Porto, em que a manhã de domingo seria para correr ou acompanhar quem corre. Como os Vicentes não conseguem dizer que não a um bom desafio e como o prazer da confraternização é do tamanho do prazer pela corrida, entre atletas e familiares eram quase 40, os que seguiram viagem no sábado em direção à Invicta.
Na feira da maratona com o "Zé Picolé"
O Carlos Sá pediu e os Vicentes pousaram com ele para a foto
Uma das 4 mesas de Vicentes no jantar de Sábado
Vicentes equipados a rigor na "Invasão à Invicta"
Sem programa definido previamente, em relação a refeições, passeios, etc. É difícil que mais de 30 pessoas, estejam todas em sintonia, mas quando se está entre amigos e pessoas que gostam realmente da companhia umas das outras tudo se torna fácil e as coisas correram lindamente. VOCÊS SÃO FANTÁSTICOS!!


Por fim os agradecimentos.
São muitos (e vou certamente esquecer-me de alguém) mas faço questão de os mencionar aqui, sem qualquer ordem.
Aos meus pais, por tudo. Rutília, por apesar de todos os teus receios, perceberes que estava bem e que ia ter juízo e pela alegria que senti ao ver-te antes da meta. Sandra e Bruno, por serem os anciãos desta nova "família" que todos ganhámos e que muito nos orgulhamos de pertencer. Sandra pela tua expressão de orgulho em veres chegar cada um dos teus meninos e meninas. Verónica, por neste momento não correres mas tens sido incansável no apoio (e ainda fizeste quase 100m connosco). Muito obrigado Rutília, Sandra, Verónica e Brigitte (agora que não corres por estares a fazer a melhor maratona da tua vida), por ser graças a vocês e às vossas reportagens fotográficas, que podemos eternizar todos os nossos feitos. Ao David Simão, por me ter lançado ente desafio e proporcionar esta experiência única que jamais esquecerei. Espero também estar desculpado, por ter falhado ao compromisso de te acompanhar de principio ao fim. Ao Caldeirinha e ao casal José e Irene pelo apoio ao longo do percurso, não fazem ideia da alegria que nos dão e do bem que fazem. ZéTó e Liliana, não voltem a fazer isso. A corrida só por si já puxa pelo coração, por isso, surpresas destas não são recomendadas pelos médicos. De qualquer forma, não tenho palavras para vos agradecer. António e Inês que após fazerem a vossa prova, vieram puxar e acompanhar todos os outros atletas. A todos os amigos, Vicentes e restantes malucos das corridas que estiveram presentes neste fim de semana e com quem troquei palavras de incentivo antes e durante a prova e também felicitações no final da mesma.
Mesmo para terminar, um agradecimento especial ao Ildebrando, por saber o quanto para ti foi difícil ir ao Porto e ainda mais difícil estares ali a apoiar quem estava a correr. És gigante, e uma grande parte do meu êxito nesta corrida, devo-o a ti. Para o ano matas o borrego, e eu quero lá estar.
A todos MUITO OBRIGADO!

Até breve e divirtam-se. Principalmente, divirtam-se a correr.

8 de outubro de 2014

Cortei a meta dos 42,195km

Aviso: Este post vai ser longo, pode provocar sonolência e mais para a frente poderá tornar-se demasiado lamechas. É de sua conta e risco continuar a leitura daqui para a frente.

Está feita a minha 1ª Maratona. E superou todas as minhas expectativas. Sempre disse que o principal objetivo seria terminar e de preferência sem o fazer em grande sofrimento. Estabeleci um plano de treinos que não segui com muito rigor, e por isso ao chegar a dia 5 tinha a perfeita consciência que podia ter feito mais e melhor.
Saí de casa às 7h na companhia do David Simão e do casal Cardoso (Pedro e Brigitte) e por volta das 7:40h estávamos a chegar junto ao Hipódromo Manuel Possolo em Cascais, para nos reunir-mos com os restantes Vicentes.

Eu, Pedro Cardoso e David Simão, acabadinhos de chegar a Cascais
No largo junto ao hipódromo. Já pairava no ar o cheiro a Maratona.
Dois dedos de conversa, saber as expectativas de cada um e o nervosismo, porque para a maioria iria ser a estreia, cumprimentar mais uns quantos amigos de outras camisolas e tirar a foto de grupo, para que depois cada um se preparasse para a prova que aí vinha. Uns foram fazer o último xixizinho, outros quiseram aquecer, etc.


Cerca das 8:20h fomos para a zona da partida, dão-se os últimos abraços, deseja-se sorte uns aos outros e instintivamente começamos a dividir-nos em grupos mais pequenos consoante os objectivos de cada um.
É dada a partida e demoro exactamente 3 minutos a chegar ao pórtico. Como partimos cá de trás, o início é feito nas calmas e não vimos necessidade de começar a furar pelo meio do pelotão, porque tínhamos 42km pela frente e não era isso que iria influenciar a nossa prestação.
O grupo inicial foi formado por mim, David Simão, Sandro, David Nascimento, Cátia e Cláudia. O ritmo rondava os 5.30m/km e por volta do km4 a Cláudia disse-nos que estava demasiado forte para ela e que ia abrandar um pouco. Foi uma decisão muito acertada e que fez com que ela fizesse uma excelente prova, sempre muito certinha e com a boa disposição que a caracteriza.
Os restantes 5 seguimos juntos e contrastando com os restantes atletas que nos rodeavam, fomos quase sempre na conversa. Tínhamos definido que apesar de irmos os 5 tentar fazer a prova em mais ou menos 4 horas, cada um seguiria no ritmo que achava mais adequado para si, para não comprometer a prestação pessoal. Quem quisesse ir mais depressa ia e quem quisesse poupar-se mais para os kms finais também.
Ao km 18 temos a primeira claque Correr Lisboa com a Verónica, a Cátia e a Matilde e o António. Foi muito bom vê-los ali e animou-nos bastante.
David S., eu e Sandro (Cátia e David N. iam mais à direita e não aparecem).
Dá para ver a boa disposição com que o grupo ia nesta altura.
Ao km 20 o David Nascimento, começa a sentir algum cansaço, decide abrandar também um pouco e a Cátia fica a acompanhá-lo. Quando chegamos à Cruz Quebrada, a Cátia junta-se a nós novamente (mas penso que o esforço extra que fez para nos alcançar, provocou-lhe um grande desgaste e foi um dos motivos para ao km25 ficar bastante para trás devido a dores musculares e ver-se obrigada a terminar a prova uns kms depois).
Passamos os 4 a barreira meia maratona com 1h56m, o que não sendo extraordinário, estava perfeitamente dentro daquilo que pretendíamos e dava alguma margem para gerir a segunda parte da prova.
Em conversa fomos dividindo os 42,195km em partes mais pequenas. Aos 21km faltaria apenas uma meia maratona, aos 27 seria só fazer a Corrida das Fogueira e aos 32 já só faltava uma São Silvestre.

Já sem a companhia da Cátia, recebemos novo alento ao avistar o seguinte cartaz afixado na véspera pelo Vasco, na passagem pedonal junto à Cordoaria.

"Quando as pernas doerem, corre com o coração!
PS - Despacha-te que estamos à espera para o almoço"
Um pouco depois de Belém foi a vez do David Simão sentir uma ligeira quebra e perder alguns metros para mim e para o Sandro.
Antes do km30 comentei com o Sandro, que estava espantado por me estar a sentir tão bem, física e mentalmente, apesar dos kms já percorridos. Mas que não iria arriscar em forçar o ritmo, porque daí para a frente entraria numa zona totalmente desconhecida, pois aquela era a maior distância que tinha corrido e não fazia a mínima ideia de como o corpo se ia portar daí para a frente.

Abro aqui um parêntesis para falar da estratégia em termos de alimentação, porque para meias maratonas não costumo levar nada (apenas aproveito os abastecimentos que a organização disponibiliza), mas para a maratona, achei melhor ter isso em atenção e ir precavido. Corri alguns riscos ao levar gel que nunca tinha experimentado e que tinha apenas a referência de alguns amigos que usavam e estavam satisfeitos, mas até nisso tudo correu lindamente. Levei 4 e tomei aos 11, 21, 30 e 37kms. E a escolha foi Extreme Gel Taurina da Gold Nutricion. Sempre acompanhados por bastante água.

Chegamos ao Cais do Sodré e está à minha espera o Ildebrando, que apesar de ir trabalhar à tarde, tinha-me dito logo que faria 5kms comigo. Equipado a rigor (de Vicente, claro!) e cheio de energia e boa disposição não se calou um bocadinho, ora incentivando-nos e dizendo que estávamos muito bem, ora tentando "sacar" uns aplausos das pessoas pessoas que estavam a assistir, e mais importante que isso deu-me umas dicas muito importantes do que iria apanhar dali em diante. Entramos no Terreiro do Paço e vejo bastante público e um pouco mais à frente o meu amigo Miguel Quintanilha que mesmo estando em serviço, fez questão de estar ali para nos cumprimentar e apoiar.

Eu, atleta estrangeiro, Sandro e Ildebrando (fotos do Miguel Quintanilha)
Já no Rossio, somos surpreendidos novamente pela Verónica e o António que depois do km18 "voaram" para o km32 para voltarem a dar-nos o seu apoio e registar o momento.
A Verónica ainda fez questão de correr uns metros connosco e ganhou!
Neste momento faltava apenas fazer uma São Silvestre (10km), e apesar de continuar muito forte mentalmente e do corpo também não se queixar em demasia, lembrei-me de uma frase dita por um amigo já experiente nestas andanças que diz que "A maratona é uma prova de 12km, com um aquecimento de 30!", ou seja, ali é que iria começar verdadeiramente a batalha e iria ver se o tão famoso "muro" (para os menos familiarizados com este termo pesquisem por muro e maratona) me ia aparecer pela frente ou não.
Apesar destes receios, o Ildebrando dá-me uma nova injecção de ânimo e confiança ao dizer-me "Parabéns! Da maneira como estás, a tua 1ª maratona está mais do que feita, por isso aproveita os kms que faltam para te divertires e saboreares o momento, como tens feito até aqui. Vais ver pessoal a bater no muro a partir dos 35km, mas mantém-te concentrado porque estás muito bem."
Novamente no Terreiro do Paço vimos o Carlos Ramos que iria connosco até ao fim. O Sandro resolve arriscar e acelera um pouco e o Carlos segue com ele. E já perto do km 35 o despeço-me do Ildebrando, que tinha que ir à vida dele.

Neste momento e pela primeira vez em toda a prova estava sozinho mas muito confiante de que já nada me impedia de cumprir o sonho de ser maratonista.
Um pouco mais à frente dá-se a junção com o pessoal da Meia Maratona que fazia ali a inversão no percurso. Esta situação foi também muito positiva porque temos mais gente a correr junto a nós, conseguimos encontrar muitos Vicentes e mais alguns conhecidos que foram fazer a meia maratona e ainda iam em sentido contrário e recebemos por parte de todos eles sempre um aceno caloroso ou um "Força" que nos empurra na direção da meta.

Por volta do km 38 avisto o Pedro Carvalho que ia com algumas dificuldades físicas, mas estava na companhia do Carlos Ramos que entretanto deixara o Sandro voar sozinho e ficou a auxíliar o Pedro. Perguntei se podia ajudar de alguma forma, mas o Pedro disse-me para seguir.
Não sei se está relacionado com o facto de ter visto o Pedro em dificuldades, mas após este momento fraquejei um pouco. Estava já convicto que iria terminar abaixo das 4h, mas pensei em caminhar um pouco antes do km 40 para depois terminar mais forte e enquanto vou com este pensamento levanto a cabeça e vejo estas Senhoras, a gritarem pelo meu nome:

Célia, Lurdes e Madalena
Aqui senti que levei uma autêntica chapada (no bom sentido), que me fez despertar daquela quebra psicológica que me tinha atingido momentos antes. Com aquele estímulo era impossível parar, era impossível até abrandar (apesar da ligeira subida).
Até aí tinha-me aguentado muito bem emocionalmente, mas neste momento não consegui mais conter as lágrimas.
Um pouco mais à frente vi o Sardinha que ia a caminhar e não consegui soltar uma única palavra, apenas lhe bati no ombro tentando transmitir-lhe um "Bora lá! Já falta muito pouco.". Na zona da loja ProRunner estava o Xico que disse também que me iria acompanhar alguns metros. Disse-me também que eu estava com bom aspecto para quem já ia com 40km, fiz-lhe +/- o relatório do pessoal que vinha lá mais atrás e perguntei-lhe pela malta da frente. Subimos em direção à Av. Dom João II, que estava repleta de gente e está o Bruno Claro à minha espera. Ele que tinha "despachado", minutos antes a meia maratona em 1h39m obtendo assim recordo pessoal. Faço alguns metros na companhia do Xico e dele e entrego-lhe o boné, para cortar a meta mais bonito. lol
Em frente ao Vasco da Gama, volto a "transpirar dos olhos" ao ver a esposa com a minha filha ao colo e um casal de amigos. Só consigo dar um "mais cinco" à filhota e coloco os olhos no chão, para ninguém ver o "suor" que me caía pelo rosto.
Dou a volta e entro na reta final. Limpo o rosto à camisola e preparo-me para cortar a meta. Avisto o pórtico e mesmo em frente a Sandra de máquina fotográfica em punho. Faço um último esforço para conseguir conter todas as emoções e penso "Está feito. Conseguiste!"

Está feita! (Foto Sandra Ramos Claro / CorrerLisboa)
Confirma-se a passagem na partida ao minuto 3.
Gráfico dos tempos por km. Como podem ver, parecia um relógio Suiço.


Não quero terminar este post sem os devidos agradecimentos. Algumas pessoas mencionei no texto anterior mas muitos ficaram de fora.
Obrigado esposa e filhota, por toda a compreensão nos momentos, em que me privei de estar convosco para poder treinar e cumprir este sonho, nos últimos quatro meses; Aos meus pais e "la familia", pelo incentivo que sempre recebi, fazerem-me acreditar que era capaz e por terem aturado o facto de muitas das minhas conversas nos últimos tempos irem dar sempre à palavra "Maratona"; Sandra e Bruno Claro, por serem os grandes responsáveis de eu agora gostar de correr; Aos "Compadres", que mostra que a corrida para além de muitas outras coisas traz-nos grandes Amigos; Aos "Vicentes na Maratona", por toda a entreajuda através da troca de informações e dicas que antecederam a prova; Ao Vitório, Pedro, Bruno e André, porque não esqueço que tudo isto das corridas começou após o levantamento dos dorsais para a Mini Maratona da 25 de Abril de 2012; A todos os Vicentes que semanalmente nos acompanham à terça-feira e que tornam este grupo, na coisa maravilhosa que é e dão às provas um colorido amarelo muito especial; Ao pessoal dos vários blogues sobre corrida que acompanho e que são também grande inspiração; E a todos os restantes amigos e conhecidos que a corrida me trouxe nestes 2 anos e com quem me cruzo nas provas sempre com uma saudável troca de cumprimentos e incentivos, porque as nossas corridas não têm adversários, mas sim amigos que também correm para se superarem a eles próprios. Obrigado pelas muitas palavras de incentivo que recebi da vossa parte.


Prometo que estou mesmo a terminar. Mas dos agradecimentos anteriores, quero destacar aqueles que foram muito importantes especificamente ao longo dos 42,195km (todos com igual grau de importância).
- Cátia Nascimento, David Simão, David Nascimento e Sandro, pelos magníficos kms percorridos juntos.
- Verónica e António pelo apoio ao km18 e novamente ao 32.
- José Saraiva, que fez dezenas de kms de bicicleta para trás e para a frente a perguntar se estávamos bem e se era preciso alguma coisa.
- Ildebrando, obrigado pelas dicas e pela companhia na barreira das 30 e por me fazeres acreditar que já estava.
- Quintanilha, para além da presença do Terreiro do Paço, o exemplo de força e determinação.
- Lurdes, Célia e Madalena, por depois de fazerem a vossa prova irem para uma zona importantíssima puxar por todos aqueles que passavam. São sem dúvida um grande exemplo para todos.
- Xico e Bruno, pelo apoio final e pela preocupação com todos os que ainda aí vinham.
- Rutília e Maria, só pelo facto de lá estarem. Sei que também não devem ter sido fáceis os momentos de ansiedade até à minha chegada.
- Ritinha e Pedro, acho que basta dizer Obrigado. O resto vocês sabem.
- Sandra, pelo registo fotográfico que imortalizará este meu momento, mas também por todo o amor e empenho que dedicas a esta grande família de Vicentes (obviamente que o Bruno também), e que fazem que todos nos sintamos muito orgulhosos por vestir esta camisola.

"Até breve e divirtam-se. Principalmente divirtam-se a correr."

Esta expressão define a minha maratona. Eu diverti-me, e muito.



15 de setembro de 2014

A caminho dos 42,195 - Semana #13


Mais uma semana que passou e menos uma semana que falta para o grande objectivo. Umas vezes, o pensamento é "já só faltam 20 dias" e com ele vem o medo, o receio de não estar preparado e o peso na consciência de que poderia ter treinado mais. Outras vezes é "ainda faltam 20 dias", queria que fosse já amanhã para acabar com toda esta ansiedade, o medo de uma lesão até lá, etc.

Esta semana fica marcada por um fim de semana, que passou a correr. Normalmente (penso que para todos nós), parece que os fins de semana passam demasiado depressa, mas este passou literalmente a correr.
Sábado de manhã Treino Correr Lisboa / adidas, à tarde 38ª Meia Maratona de São João das Lampas e Domingo, Corrida do Tejo. Fazendo um total de 46,4km nos dois dias.
Quando elaborei o plano de treinos para a maratona, este seria o fim de semana de treino longo, e como vi que coincidia com a Meia Maratona das Lampas, achei que seria o treino ideal devido à beleza da prova e também pela sua dificuldade, que equivale quase a um treino de 30km em plano e inscrevi-me assim que foi possível.
Depois disso, através da parceria do Correr Lisboa com a adidas, foram criados treinos de preparação para
a Maratona e Meia Maratona de Lisboa. Esses treinos têm decorrido aos sábados (ainda vai haver mais 2), e têm normalmente a distância de 15km.
Domingo seria dia de descanso, mas quando a Corrida do Tejo foi apresentada, o Correr Lisboa foi desafiado pela Câmara Municipal de Oeiras, para tentar ser uma das equipas com maior número de participantes. Incapazes de virar costas a um bom desafio, os Vicentes aceitaram de imediato e foram mais de 100 os inscritos (que orgulho em toda esta malta). Como os guias não tinham objectivos pessoais para esta prova, decidimos que iríamos ajudar todos aqueles que pretendessem melhorar os seus tempos e cada guia ficou encarregue de cumprir um determinado tempo desde os 40 aos 70 minutos. A mim coube-me acompanhar o grupo dos 55 minutos, partindo com 6 elementos. Desses 6, 4 terminaram com pouco mais de 53 minutos e o outros dois, devido também ao calor, perto do km 3 não conseguiram manter o ritmo mas terminaram perto do minuto 57. Parabéns a todos.

As corridas deste fim de semana, serviram também para estrear os "meninos" que irão me acompanhar na maratona, e são eles os adidas Supernova Glide 6 Boost. Já tinha o mesmo modelo, mas em azul, e por isso já sabia que são muito bons e que não será por eles que as coisas poderão correr menos bem (só é pena não haver uma versão com rodas). De qualquer forma tinha que os testar antes da prova, para lhes "tirar a goma" e eles irem percebendo o que os espera daqui a 20 dias.
adidas Supernova Glide 6 Boost

Por falar nisso, já vos disse que SÓ faltam 20 dias para a maratona?
Até breve e divirtam-se. Principalmente divirtam-se a correr.

Galerias:
Treino Correr Lisboa / adidas
38ª Meia Maratona de São João das Lampas
Corrida do Tejo

4 de agosto de 2014

A caminho dos 42,195 - Semana #5 a 7

E já lá vão 3 semanas desde o último post. Não pensem que deixei de correr ou de treinar para dia 5 de Outubro fazer a Maratona de Lisboa. Simplesmente tive alguma preguiça em escrever e pelo meio uma semana de férias.
Para além dos treinos normais e dos treinos de terça-feira do Correr Lisboa, houve 3 coisas a destacar. Um treino longo no Algarve, uma prova de cerca de 5km na praia e um treino do Correr Lisboa na passada sexta-feira à meia-noite em Belém com mais 50 "malucos".
Treino longo por terras algarvias.
Estive em Tavira e previamente já tinha este treino planeado. Seriam 26km com saída de casa antes das 8h, para evitar o calor e chegar à praia da Manta Rota, por volta das 10h onde o resto da família (que ia de carro) me iria esperar. Saí às 7:45h com protector solar colocado, chapéu, um cinto com 3 garrafas de água 125ml cada, um gel e uma barra energética e o telemóvel. Como de Tavira até à Manta Rota seriam só 16km, fui em direção a Santa Luzia e regressei a Tavira para fazer assim mais 10km. De volta a Tavira atravessei a cidade e junto ao shopping segui pela Ecovia, para evitar a famosa, muito movimentada e perigosa EN125. Foi preciso começar a correr para ao fim de 30 anos a passar férias naquela zona, descobrir locais magníficos e onde felizmente os carros não têm acesso. O primeiro troço liga Tavira a Cabanas e é feito em caminhos de terra batida, junto a pomares, plantações de palmeiras, salinas e sapais.
Praia do Barril ao fundo - Vista de Tavira - Salinas e sapais.
Como estava já muito calor e não sabia se iria encontrar pontos de água no resto do percurso, aproveitei um café aberto para pedir um copo de água e assim poupar a que ainda tinha de reserva.
O percurso de Cabanas até Cacela Velha é feito quase todo em estradões de terra batida, ladeado por muitos pomares e campos de golf. Passei ainda por um resort e uma casa de turismo rural muito fixes.
Cabanas - Vacas a pastar em frente à casa de Turismo Rural - Cacela Velha - Registo final do treino.
De Cacela Velha até ao final eram só mais 3km e nesta altura já não me saía da cabeça o pensamento de chegar à praia e ir para a água, fazer uma longa sessão de crioterapia. eheheh
Depois do banho, havia que repôr algumas das 2324 calorias e nada melhor para isso que uma bola de Berlim.

Registo do treino.
Distância - 26,25km
Tempo -2h17m52s
Ritmo médio - 5:15m/km
Chegada à "meta" - A bola de Berlim - Já com os pés de molho

XXV Corrida Mar Azul
Com o amigo Bruno Semedo
Entretanto em Tavira, conheci malta da equipa Pégada Verde a Sul e disseram-me que no domingo seguinte (27 de Julho) iria haver a XXV Corrida Mar Azul e se eu queria participar. Para quem não sabe, esta é uma prova que se realiza ao longo da Ilha de Tavira, com partida na Praia do Barril e a meta instalada na praia da Ilha de Tavira, feita sempre pela areia numa distância de +/- 4,7km. Ao longo dos muitos anos de férias passadas na praia da Ilha de Tavira, assisti muitas vezes a esta corrida, na qualidade de banhista, aplaudindo sempre do primeiro ao último classificado, os "doidos" que em pleno Verão e a meio da manhã, corriam ao longo da praia em vez de desfrutarem de todas as outras coisas maravilhosas que esta bela praia nos oferece.
Já muito perto da meta
Acontece que desde há 2 anos, altura em que comecei a correr, que passei a desejar ser um dos "doidos" que quer participar nesta prova. Como a corrida é organizada tendo em atenção os horários das marés, para se fazer sempre na baixa mar, o dia da sua realização nunca é certo e então o ano passado calhou numa altura em que não estaria por terras algarvias. Por isso este ano não podia faltar.
Combinei encontrar-me antes da prova com a malta da Pégada Verde a Sul (tudo pessoal 5 estrelas. Obrigado por tudo) e também com o meu amigo Bruno Semedo, que tinha chegado ao Algarve na véspera e que o desafiei logo para participar na prova..
Ao chegarmos à praia do Barril, vejo cerca de 200 atletas, na sua grande maioria, com aspeto muito profissional. Primeiro pensamento "Estou tramado. Isto é só prós. Se acabar abaixo dos 150 lugares já vai ser bom.". Às 10:25h é traçada com o pé uma linha na areia perpendicular ao mar, os atletas perfilam-se ao longo dessa linha e às 10:30h soa a buzina que assinala a partida.
Devido ao entusiasmo do pessoal da frente ao fim de 500 metros olho para o relógio e assusto-me. O mostrador indicava 3:45m/km. Vi que se quisesse chegar vivo à meta teria de abrandar e ir num ritmo mais calmo e fiz o resto da prova entre os 4:20 e os 4:30m/km. Ao cortar a meta recebo uma garrafa de água e o melhor troféu do mundo, o abraço da filhota que ainda eu não tinha recuperado a respiração, já me estava a desafiar para ir dar uns mergulhos no mar.
Foto de grupo com o pessoal da Pégada Verde a Sul (equipados de laranja), o Bruno e 2 atletas da equipa dos Bombeiros de Tavira.

Resumo da prova:
Distância - 4,7km
Tempo -20m34s

Ritmo médio - 4:23m/km
Classificação geral - 42º


Treino do Correr Lisboa à meia noite em Belém
"O que fazer numa noite de sexta-feira em Lisboa? Nada melhor que uma corridinha junto ao rio, com mais alguns "malucos" e no final improvisa-se um pic-nic.". Este deverá ter sido o pensamento que a Sandra Ramos Claro deve ter tido quando se lembrou de criar este evento.
O treino iria ter cerca de 16km, partindo da Torre de Belém em direção ao Terreiro do Paço e aos 8km voltávamos para trás. Já que ia fazer 16km pensei que poderia aproveitar alguma companhia e o facto de à noite não estar tanto calor, para fazer o meu treino longo semanal e assim desafiei o Bruno Claro, o André Ornelas, o David Simão e o Vítor Tavares a irmos mais cedo e fazermos mais alguns kms antes.
fizemos +/- 8,5km e em conversa falámos na possibilidade de muito pouca gente aparecer para treinar aquela hora, visto ser já um pouco tarde e ainda por cima a noite em Lisboa ameaçar chuva a qualquer momento.
O problema é que existe gente tão ou mais doida que nós e compareceram quase 50 atletas cheios de vontade de percorrer muitas das esplanadas ribeirinhas de Lisboa.
A foto de grupo

Como em qualquer treino do Correr Lisboa, houve um breve aquecimento, depois o grupo foi dividido em vários sub-grupos, mediante os ritmos de cada um, porque ninguém corre sozinho.
Foi um treino muito agradável, sempre em boa companhia e animada conversa. Ao passar junto ao bar Meninos do Rio, fui surpreendido pela objetiva do amigo Joel que fez o favor de registar o momento.
Foto de Joel Silva. Obrigado Joel.


No final houve um pic-nic, organizado pela Sandra, para celebrar o aniversário do Bruno Claro que tinha feito anos na véspera. Tirando o facto do Tony Carreira não ter aparecido e de não haver vacas, cavalos, patos, porcos e galinhas, aquilo quase que parecia o mega pic-nic da Avenida da Liberdade.

Uma pequena amostra do pic-nic.

Resumo do treino
Distância - 25km
Tempo -2h13m52s
Ritmo médio - 5:13m/km


Até breve e divirtam-se. Principalmente divirtam-se a correr.

17 de julho de 2014

A caminho dos 42,195 - Semana #4

O plano de treinos dizia que esta semana seriam 3 treinos suaves, entre 8 a 10km cada, apenas para rolar. Aqui o vosso amigo Tiago, como não foge ao que está planeado, resolveu fazer um treino calmo (9km no 51º Treino Correr Lisboa) e depois 35km no Trail longo do UTDP (Ultra Trail Douro e Paiva).

Quanto ao resto da semana pouco há a dizer por isso, vou-me centrar apenas no UTDP.

A participação neste trail começou com um convite do nosso amigo Heitor, para ir passar um fim de semana à sua terra e onde aproveitaríamos para correr no domingo. Havia espaço com fartura para todos os quisessem ir e em termos de corrida também ninguém se podia queixar porque a prova tinha distâncias e graus de dificuldade para todos os gostos. Desde a caminhada, trail curto de 18km, trail longo de 30km e ultra trail de 60km (distâncias anunciadas inicialmente, mas que devido ao mau tempo na semana antes da prova fez com que a organização tivesse que fazer algumas alterações aos percursos, alertando os atletas para esse facto).

Do pessoal do Correr Lisboa, fomos 10 os que arrancámos de Lisboa no sábado rumo a Cinfães. O dia de sábado foi passado entre passeios por recantos magníficos do nosso Portugal, excelentes provas gastronomicas, "hidratação", crioterapia no Rio Bestança e, lá pelo meio, levantamento dos dorsais para o dia seguinte.
A degustar a maravilhosa "posta Arouquesa"

Domingo era dia de levantar cedo para estarmos em Cinfães às 7h para seguir na camioneta que levaria todos os atletas até ao local de partida do trail, a ponte de Mosteirô.
O grupo completo ainda em Cinfães

Os 4 Correr Lisboa que fizeram o trail longo
Antes da partida ainda encontro a Anabela que também ia aos 30km, mas diz-me que não sabe como vai ser porque não estava a 100% (quase no final da prova soube pela "atleta vassoura" que a Anabela tinha desistido. Há dias assim)  :(
Um muito obrigado ao casal de "atletas vassoura" que nos acompanhou nos últimos 2km. Foram incansáveis.

O relato da prova leiam aqui o do Bruno Claro, que transmite todas as emoções vividas ao longo dos quase 35km.

Mais do que a parte física, este trail foi o melhor treino que podia ter feito para a maratona em termos mentais. Uma das minhas maiores preocupações para dia 5 de Outubro é a cabeça tentar contrariar as pernas e ir-me dizendo "é melhor parares", "para que é te meteste nisto?" e coisas do género. O passado domingo mostrou que é possível ir buscar forças onde pensamos que já não há e que a companhia dos amigos faz mesmo milagres (claro que tudo isto em doses q.b. para nunca colocarmos a nossa saúde em risco).

Ao fundo os 3 Mosqueteiros desta grande aventura

A "base para copos" que significa que terminámos a prova


Considerações pessoais sobre a organização do UTDP:
- Foi a primeira edição da prova e mostrou que tem muito potencial para se impor como prova de excelência no panorama dos trilhos nacionais. Quer pela beleza, quer pela dificuldade. Regra geral a organização teve bem, e se tiverem em consideração a opinião dos atletas, irão com certeza tornar esta prova ainda mais espectacular.
- Excelente escolha do percurso, com trilhos muito variados e bem definidos em termos de limpeza.
- Achei os abastecimentos algo fracos em termos de diversidade, tendo também em conta a dificuldade da prova. Penso que para uma prova com uma duração tão grande os atletas necessitam de mais do que amendoins, batatas fritas, marmelada, fruta e madalenas. Quanto a bebidas para além da água, isotónico e sumo, pudessem incluir também coca-cola e cerveja.
- As marcações estavam boas (acho que uma grande parte do pessoal do Ultra enganou-se, mas o facto deveu-se à falta de civismo de alguns que ao passarem alteraram a sinalização), mas fica a sugestão para colocarem fitas de cores diferentes para diferenciar as provas e nos locais de separação Ultra para Longo ou Longo para Curto, para além das placas, era bom também haver alguém da organização/voluntário a informar dessa mesma separação.
- Sendo uma prova por caminhos muito sinuosos e suscetíveis a lesões, era bom também haver nos pontos mais críticos, equipas de socorro, para prestar um auxílio mais rápido e eficaz aos atletas.
- Falha também no "controle zero". A organização colocou no regulamento uma lista de material obrigatório e que seria alvo de revista no início da prova, havendo penalização para quem não tivesse tudo em condições. Controle esse que não chegou a ser feito (falo apenas do trail longo, curto e caminhada, porque em relação ao ultra não sei se o fizeram ou não).

Acho que as falhas existentes este ano não serão difíceis de solucionar e que a edição de 2015 será o afirmar de uma prova que pode certamente lutar pelo pódio no panorama nacional.



Para além do agradecimento aos 10 magníficos "Vicentes" que foram a Cinfães e que tornaram este fim de semana em algo memorável (António, Bruno, Cátia, Cláudia, Pedro, Ricardo, Sandro e Verónica). Vocês são 6 estrelas.
Obrigado amor, por toda a paciência, pelas longas horas de espera durante a prova e muitas vezes sem notícias nossas e por para além do cansaço teres feito no final 400km a conduzir.
Ao Heitor Cardoso e a todo o pessoal da Associação à qual pertence por toda a hospitalidade e simpatia com que fomos recebidos.
Ao Vitório e ao Pedro que pela net foram seguindo a nossa prova e que me iam enviando mensagens de incentivo.
Para terminar aproveito também para dar um grande beijinho à Sandra que com grande pena não pôde ir e que sofreu imenso à distância (desculpa também não te ter conseguido tranquilizar no final da prova).



Leiam o excelente relato desta prova feito pelo Carlos Cardoso que fez o Ultra.
E vejam um video da Diana Mata sobre o Trail Longo.